Assaltos a ônibus afastam 113 rodoviários do serviço

Milton Alves Júnior

 

Um raio-x realizado pelo Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Aracaju (Sinttra) mostra que dezenas de motoristas e cobradores estão abandonando a profissão em virtude do alto índice de violência sofrido pela categoria ao longo dos últimos cinco anos. A desistência dos serviços rotineiros ocorre mesmo em pleno período de crise econômica do país. O medo, em paralelo ao estresse físico e mental enfrentado pela classe trabalhadora, já foi suficiente para afastar 113 rodoviários por motivos de saúde.

O presidente do Sinttra, Miguel Belarmino, explica que essa mudança negativa no quadro de funcionários ocorre pelo fato de muitos motoristas e cobradores não conseguirem se recuperar do pânico sofrido durante as abordagens articuladas por criminosos. Além disso, muitas vezes, a falta de assistência por parte das empresas contratantes complica mais ainda a saúde psicológica do servidor. Ou seja, os profissionais assaltados durante o serviço são, em geral, aconselhados a arcar com os prejuízos da empresa e, quando não aceitam o conselho, acabam punidos com perseguições internas e até demissão.

“Muitos companheiros de farda estão cansados e exaustos dessa violência que tanto mexe com o subconsciente dos colegas. Apesar da redução neste índice de assaltos e demais ações de violência, os mais de 700 casos já registrados neste ano continuam prejudicando a saúde dos funcionários. Como esse número de servidores afastados se refere até o mês de março, certamente hoje esse número já deve ser maior de colegas amparados pelo INSS [Instituto Nacional de Previdência Social]", lamentou Belarmino.

Todo este cenário preocupante para o sistema ocorre mesmo com a redução gradativa de assaltos e arrastões, conforme as estatísticas já divulgadas pela Secretaria da Segurança Pública (SSP). Enquanto o ano de 2016 teve exatos 1.686 assaltos, outras 744 ocorrências foram registradas de janeiro deste ano até a noite desta quarta-feira, 13. A estatística mostra que estes números são inferiores aos 1.236 registrados no mesmo período no ano passado.

O sindicato contabiliza ainda nove casos de agressões físicas cometidas por assaltantes contra os rodoviários, sem registro de homicídio. O caso mais grave deste ano foi registrado no dia 2 de agosto, quando um cobrador foi baleado durante o assalto a um coletivo que passava pelo Conjunto Parque dos Faróis, em Nossa Senhora do Socorro (Grande Aracaju). A ação teria sido realizada após um dos assaltantes ter ficado furioso com o baixo valor presente no caixa do coletivo. Em julho do ano passado, o cobrador David Jonathan Barbosa, que tinha 26 anos de idade e apenas dois meses e meio de trabalho na empresa Atalaia Transportes, foi assassinado enquanto fazia a linha Fernando Collor/Atalaia. O fato aconteceu na Avenida Santa Gleide, no Jardim Centenário (zona oeste).

“São por estes motivos que muitos estão abandonando a profissão. É preciso que os órgãos competentes de segurança intensifiquem as fiscalizações, rondas e blitzes para que possamos fechar este ano com menor índice desse tipo de assalto. No ano que vem é preciso seguir reforçando as abordagens para reduzir ainda mais. Somente assim será possível reverter o quadro”, pontuou o sindicalista. De acordo com a Polícia Militar, a queda dos índices ocorre em virtude da intensificação nas fiscalizações promovidas em diversos bairros da região metropolitana. Essas vistorias também são promovidas por oficiais da Polícia Rodoviária Estadual e Federal, bem como dos agentes da Guarda Municipal de Aracaju.

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