Assassinato de cobrador provoca protestos e pode parar os ônibus

Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br

O que os motoristas e cobradores de ônibus de Aracaju mais temiam nos últimos anos aconteceu às 15h20 de ontem. David Jonathas Barbosa, 26 anos, cobrador da Atalaia Transportes, foi assassinado por três bandidos que assaltavam um veículo da empresa que fazia a linha Bugio/Atalaia (080). O crime aconteceu na ponte que interliga os bairros Bugio (zona oeste) e Santos Dumont (zona norte). De acordo com testemunhas, eles embarcaram como passageiros no final de linha do conjunto e, ao anunciarem o assalto, pularam a catraca e exigiram dinheiro do cobrador.
Durante a fuga, quando os marginais já estavam na rua, um deles disparou um tiro que acertou as costas da vítima. Barbosa chegou a se levantar para correr, mas, já ferido, caiu na escada do ônibus. Segundo as primeiras informações de testemunhas, o cobrador não reagiu ao assalto, mas acabou baleado porque o criminoso teria se irritado com a pouca quantidade de dinheiro que havia no caixa: menos de R$ 40. A polícia confirmou que a quantia foi roubada pelo trio. Nenhum passageiro foi molestado pelos ladrões.
Após a fuga dos criminosos, o motorista desviou a rota do ônibus e foi direto ao Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), no Capucho (zona oeste), onde David foi socorrido às 15h37. No entanto, ele morreu pouco depois de dar entrada no pronto-socorro. Segundo a assessoria do Huse, o disparo atingiu a coluna do cobrador e atravessou o abdômen da vítima, provocando uma grave hemorragia. O corpo foi encaminhado durante a noite ao Instituto Médico-Legal (IML) e será sepultado hoje à tarde.
Casado e pai de um menino de três anos, David trabalhava há apenas dois meses na empresa Atalaia. "Meu filho é um trabalhador, um pai de família decente, tem um filho pra criar, e esses vagabundos tiraram a vida do meu filho. Ele não merece isso não. E eles vão pagar. Safados, infelizes!", desabafou a mãe do cobrador, Maria da Conceição Alves, que é do interior de Alagoas e tinha chegado a Aracaju na noite de anteontem para visitar o filho. Tanto ela quanto os outros familiares se concentraram na porta do Huse, muito abalados.
O crime provocou uma reação imediata. Por volta das 17h, depois que a morte de David foi confirmada e noticiada pelas emissoras de rádio, os motoristas e cobradores decidiram interromper a circulação de todas as linhas do transporte coletivo, mesmo sem nenhuma orientação expressa do Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Rodoviário de Aracaju (Sinttra). Espontaneamente, os ônibus não entraram nos terminais ou sequer saíram deles. A atitude foi sentida principalmente nos terminais Leonel Brizola (zona oeste), Visconde de Maracaju (zona norte), Fernando Sávio (Centro) e Manoel Aguiar Menezes (Mercado), onde muitos passageiros tiveram que seguir viagem a pé, usando caronas ou táxis-lotação. Na Avenida Tancredo Neves, o trânsito ficou bastante congestionado.
"Ninguém aguenta mais isso. Já teve um motorista esfaqueado, motorista e cobrador apanhando na cara, sendo xingado de vagabundo… e agora morreu um cobrador. A situação se agrava, não tem segurança pro trabalhador e nem pra população. A Polícia Militar está trabalhando, fazendo a parte dela, mas toda a Segurança Pública tem que pegar pesado, agir com mais energia. Chegamos a ter 237 assaltos no mês de julho. Só nesta terça-feira foram sete assaltos, no dia anterior foram 11. É sempre acima de seis a sete assaltos por dia. É uma situação lamentável que estamos sofrendo desde 2014, mas agora ficou pior", criticou o vice-presidente do Sinttra, Francisco de Assis. O sindicato já contabiliza 1.121 assaltos a ônibus na Grande Aracaju desde 1º de janeiro deste ano – mais que o dobro do total registrado em 2015.

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