Gabriel Damásio
A professora Ivania Santana Souza Oliveira, 45 anos, foi assassinada por volta das 22h desta terça-feira no estacionamento do Colégio Estadual Guilherme Campos, em Campo do Brito (Agreste). Ela saía da unidade e um vigilante tinha acabado de abrir o portão do estacionamento, quando dois bandidos chegaram ao local em uma moto Honda Broz de cor preta. Um deles, armado com um revólver, aproveitou o momento em que a vítima entrava em seu carro e disparou pelo menos três tiros contra ela. Os disparos acertaram a cabeça de Ivania, que morreu na hora.
O crime surpreendeu e chocou toda a cidade, principalmente os alunos e professores que encerravam o turno noturno de aulas. "Alguns alunos ainda estavam na escola esperando o transporte, esses permaneciam na parte interna, na hora dos disparos todos ficaram abalados e saíram correndo para se proteger", relatou a diretoria da escola, em sua página oficial no Facebook.
Equipes das polícias Militar e Civil estiveram no local e levantaram as primeiras informações sobre o crime. Segundo o maior Sidney Barbosa, comandante do 3° Batalhão de Polícia Militar (3°BPM), somente o celular da professora foi levado, apesar de o crime ter todos os indícios que apontam para uma execução. "Algumas circunstâncias apontam que esse celular foi levado para encobrir alguma eventual ligação que ela tenha feito ou recebido. Existiam coisas de maior valor no veículo que não foram mexidos. E principalmente: não foi anunciado o assalto. [O assassino] chegou no local e efetuou os disparos nela. As circunstâncias não apontam para latrocínio", confirmou Barbosa.
Por toda a madrugada, equipes de militares de Campo do Brito e de Itabaiana fizeram buscas pelos dois atiradores, mas eles não foram encontrados. O caso foi registrado inicialmente na Delegacia Regional de Itabaiana, onde algumas testemunhas e familiares da vítima prestaram depoimento. A investigação, no entanto, está com a Delegacia de Campo do Brito, cuja delegada responsável, Michele Araújo dos Santos, ouviu outros depoimentos ao longo do dia. Os policiais já conseguiram acesso às imagens registradas pelo circuito interno de TV do colégio, as quais podem ajudar na identificação dos matadores. Por meio da assessoria de comunicação da Secretaria da Segurança Pública (SSP), ela confirmou que há uma linha de investigação definida sobre o caso, mas ainda não pode dar informações detalhadas, para não atrapalhar o andamento das diligências e prisão dos envolvidos.
Nascida em Itabaiana, Ivania era professora de Geografia, tinha 13 anos de carreira no magistério estadual e estava lotada no Guilherme Campos desde 2009. As aulas na unidade foram suspensas por todo o dia de ontem, em sinal de luto. O corpo da professora foi velado em Campo do Brito e enterrado ao final da tarde no Cemitério do Campo Grande, em Itabaiana. Os funerais foram acompanhados por colegas de trabalho, ex-alunos e muitos estudantes vestidos com a farda do colégio, ainda chocados com o assassinato.
Protesto – A direção do Sindicato dos Trabalhadores em Educação na Rede Oficial de Ensino de Sergipe (Sintese) pediu uma audiência com o secretário da SSP, para discutir a questão da violência nas escolas do Estado. Em nota oficial, a entidade classificou a morte de Ivania como "um assassinato covarde, cometido por bandidos que escolheram o lugar preferencial para executar a professora" e lamentou que as escolas da cidade tenham se tornado alvos de criminosos que as invadem principalmente para furtar bens e objetos. "Campo do Brito é hoje um município que tem um índice de violência altíssimo, e as escolas viraram alvo, quase todos os finais de semana têm assaltos. Virou lugar comum entrar nos estabelecimentos de ensino para cometerem todo tipo de crime. Essa facilidade e um tanto de impunidade, certamente, encorajaram bandidos a executar a professora", denuncia o sindicato, ao exigir "a imediata apuração do crime".
Por sua parte, a Secretaria Estadual da Educação (Seed) lamentou a morte da professora Ivânia e afirmou que, desde as primeiras horas de ontem, uma equipe psicossocial do Núcleo de Prevenção à Violência do órgão está na escola e presta apoio aos alunos, servidores e professores.


