Assassinato foi ordenado de dentro do Copemcan

Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br

"Eu já estou indo lá no ‘sistema’, parceiro. Daqui a pouco, você vai ver só a tragédia. E eu ainda vou ‘coisar’ (sic), vou gravar o áudio, só pra você ouvir os estalos". Este recado foi enviado através de uma gravação do WhatsApp para um detento do Complexo Penitenciário Carvalho Neto (Copemcan), em São Cristóvão (Grande Aracaju), que orientava dois comparsas na execução de um assassinato. O crime aconteceu na tarde do último dia 29 de abril, em frente a uma loja no final de linha do Marcos Freire III, em Nossa Senhora do Socorro. Na ocasião, a dupla executou, com vários tiros, o proprietário do estabelecimento, Jeferson Alves Linhares, o ‘Fefo’, 27 anos.
Ontem, o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) confirmou que esta morte é atribuída ao detento José Ferreira Andre Junior, o ‘Dedinha’, que cumpre pena por tráfico de drogas e estava detido no Copemcan no dia do crime. Um novo mandado de prisão foi cumprido contra o detento nesta semana, desta vez por homicídio. O delegado Mário de Carvalho Leony, responsável pela investigação do caso, confirmou que também pediu a transferência de ‘Dedinha’ para o Complexo Penitenciário Antônio Jacinto Filho (Compajaf), considerado de segurança máxima e onde, segundo ele, o controle de entrada de objetos tem acontecido com mais rigor.
As gravações foram encontradas em um celular que foi apreendido com o detento dentro da cela onde ele estava, no Copemcan. Os policiais descobriram outras duas mensagens gravadas, na qual ele orientou diretamente os dois parceiros para localizar ‘Fefo’ e assassiná-lo. "Mesmo preso, Dedinha mantinha contato com seus comparsas e acompanhou todo o desenlace do crime até sua consumação. Os comparsas fotografaram a vítima ainda com vida e enviam a foto para o mandante, que de imediato identifica o alvo e determina a execução. Ao final os executores enviam foto da vítima já em óbito, para comprovar a consumação do crime", relatou Mário.
Uma foto da fachada da loja de Jefferson, chegou a ser tirada pelos dois atiradores e enviada para André. Este por sua vez respondeu com uma bronca, pois a dupla estaria prestes a matar outro homem que estava sentado perto da vítima e não tinha nada a ver com a história entre os envolvidos. "O mô fio! (sic) Pegue só esse pilantra aí, Deixa esse gordinho que tá de amarelo aí ‘de boa’. Pega o pilantra. Olha o cara aí de frente pra você, mô fio! (sic) Tá com o carro aí parado? Pula do carro e pega!", ordena o detento, pedindo que o outro homem fosse poupado. "Ao final, esses dois indivíduos chegaram em uma moto e executaram a vítima", completa o delegado, explicando que o motivo do crime foi numa desavença entre ‘Fefo’ e ‘Dedinha’.
"Eles já tiveram uma amizade próxima e até atuaram juntos no tráfico de drogas, mas houve um desentendimento muito forte entre os dois e, por conta disso, o ‘Dedinha’ decidiu matar a vítima", disse Leony. O delegado também descreveu que André usou as gravações encontradas para intimidar outros desafetos ou mesmo usuários que deviam dinheiro ao seu grupo. "Isso mostra a ousadia deste indivíduo, que mesmo segregado, vem coordenando o tráfico de droga, ordenando a execução de pessoas e ameaçando terceiros. Existe uma quadrilha muito forte por trás desses crimes", afirmou ele.  
Os executores ainda não foram identificados formalmente pelo DHPP, que divulgou imagens captadas por câmeras de segurança de lojas próximas ao local do crime. A polícia espera que a divulgação destas fotos possa ajudar na prisão dos autores do crime. Qualquer informação sobre a identidade deles pode ser repassada para o Disque-Denúncia (181). A ligação é gratuita e o cidadão não precisa se identificar.

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