Kátia Azevedo
Após uma ameaça de paralisação de serviços cardíacos neste mês de fevereiro, a Fundação de Beneficência Hospital de Cirurgia (FBHC) já demonstra preocupação com a continuidade de oferta de atendimento a partir de março.
Por enquanto, o hospital vem conseguindo manter o funcionamento da Unidade Vascular Avançada, que recebe mensalmente cerca de 80 enfartados de todo o estado. Por causa de constantes atrasos salariais, os médicos estão optando por trabalhar em outros locais. A situação vem gerando desfalques na equipe, o que acaba interferindo na operacionalização no setor.
Depois da ameaça de paralisação dos médicos do setor de cardiologia neste mês, foi feito um acordo entre as secretarias Municipal e Estadual de Saúde para iniciar pagamento de dívidas junto ao hospital.
Apesar dos avanços, o atendimento na unidade coronariana, a única que atende todo o estado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), funcionando 24 horas, poderá sofrer novos desfalques na escala caso a continuidade de pagamento não aconteça.
A direção do Hospital Cirurgia reconhece o risco e afirma que tudo vai depender de novos acordos para repasses financeiros.
Em nota enviada ao JORNAL DO DIA, a assessoria de comunicação do hospital informa que já houve um acordo entre as Secretarias Estadual e Municipal de Saúde e o Hospital de Cirurgia para a regularização dos pagamentos aos médicos ainda esta semana.
"Não existe perigo de haver falha na escala do mês de fevereiro, porém, se o acordo não for cumprido, corremos risco de falhas na escala do mês de março. As cirurgias cardíacas estão sendo realizadas normalmente", informa.
Neste mês, a expectativa era de que a unidade pararia completamente a partir de 1º de fevereiro, caso não houvesse um acordo sobre o pagamento do serviço. No caso do setor cardíaco, seria mantida apenas a urgência cardíaca.
A apreensão com a possível interrupção do serviço tem preocupado os profissionais do setor cardiológico. Além do atendimento clínico, o hospital mantém UTI e cirurgia para problemas do coração, representando importante serviço para população.
Atraso salarial – O setor de cardiologia tem grande oferta de trabalho, mas diante da descontinuidade de remuneração, muitos médicos deixaram de integrar a equipe.
Desde dezembro do ano passado, há atraso no pagamento dos cardiologistas e profissionais de outras especialidades. O problema vem dificuldade a elaboração de plantões e desencadeando o esvaziamento médico no hospital.
Outro problema é atender a demanda, já que para a ocupação das vagas, há um tempo para preparação de equipe e adaptação do profissional à atividade, o que dificulta novas contratações.
Além de cardiologistas, neurologistas e profissionais de outras especialidades também acabam sofrendo com atrasos salariais por conta de impasses envolvendo dívidas de órgãos públicos com o hospital. Entre março e abril de 2012, o problema só foi resolvido após intervenção do Ministério Público Estadual.


