Antes da repercussão do assassinato do delegado de polícia Ademir Melo Júnior, uma divergência pública estava criada entre entidades de classe das polícias Civil e Militar. O presidente da Associação dos Delegados de Polícia de Sergipe (Adepol), Paulo Márcio Ramos Cruz, cobrou mais empenho e dedicação dos oficiais da PM para participar do policiamento de rua. Em entrevista publicada na segunda-feira pelo site "Universo Político", alegou que os oficiais da corporação têm permanecido nos quartéis e não acompanhado os praças durante as atividades diárias de policiamento.
"Outro problema a ser enfrentado pelo secretário de segurança e o governador é em relação aos oficiais da Polícia Militar, cuja imensa maioria só trabalha até as 13h, mesmo assim dentro dos seus gabinetes, enquanto soldados, cabos e sargentos enfrentam escalas extenuantes. Oficial tem que estar nas ruas, comandando suas tropas e protegendo a população, e não batendo cabeça em quartel. Vemos isso na Bahia, São Paulo e Minas. Aqui em Sergipe é muito raro. Trabalhar na rua parece ser algo indigno para a maioria da oficialidade sergipana", declarou Márcio na entrevista.
A PM contestou as declarações do delegado e estuda a hipótese de questioná-lo judicialmente, por entender que seus profissionais foram ofendidos. A reação mais forte veio em uma nota divulgada ontem à noite pela Associação dos Oficiais Militares de Sergipe (Assomise), que diz não entender o motivo do posicionamento de Paulo Márcio, considerado como "isolado", em "denegrir a imagem dos oficiais e praças" da corporação.
"[Esta afirmação] é digna de muita preocupação para a sociedade sergipana, não pelo contido, pois não é digno de ser levado a sério, mas pelas entrelinhas, pela tentativa covarde de tentar desviar o foco das tratativas da Polícia Militar com o Governo do Estado. Paulo Márcio nos remete a idos tempos quando autoridades, para desviar a atenção, construíam textos enfadonhos com um misto de anúncio de poderio do Estado para desconstruir a luta dos trabalhadores, é sabido que na função do delegado, se inicia e encerra-se procedimentos, mas o oficialato da Polícia militar não vai se deixar levar pelo factoide farisaico do delegado", rebateu o presidente da Assomise, tenente-coronel Adriano Reis.


