O primeiro plantão do final de semana em que os delegados de polícia paralisaram suas atividades foi movimentado e com problemas de atendimento. Desde às 19h de sexta, apenas um delegado trabalham na Delegacia Plantonista de Aracaju, no Centro, mas ambos foram orientados a fazer um procedimento de flagrante, depoimento ou termo circunstanciado por vez. O resultado foi um ritmo lento de atendimento, que causou demora às pessoas que foram prestar queixas, e acúmulo de serviços aos agentes e escrivães de polícia. No entanto, as poucas ocorrências em determinados horários minimizaram os transtornos.
Durante a madrugada, oito pessoas foram presas em flagrante e um menor de idade foi apreendido, em ocorrências de roubo, violência doméstica, porte ilegal de arma e embriaguez ao volante. Já na sede do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), no Santos Dumont (zona norte da capital), não houve atendimento e o prédio permaneceu fechado. Mesmo assim, não Já nas delegacias regionais do interior, o atendimento só foi realizado por um escrivão e dois agentes. Os delegados decidiram não cumprir os plantões até esta segunda-feira.
Entre os casos registrados, está o de um assalto ocorrido às 21h30 de sexta, na Avenida Sete de Setembro, bairro Getúlio Vargas (zona centro). Um homem foi rendido por dois bandidos armados com facas, os quais levaram uma caixa de ferramentas, documentos, roupas, tênis, mochila e R$ 102,00 em dinheiro. Uma equipe da Polícia Militar fez buscas e localizou três suspeitos com a mochila, a carteira, as ferramentas e as roupas da vítima. Rosenilton Santos e Marcos Silva foram reconhecidos e autuados por roubo qualificado.
Os delegados pedem a promoção automática de seus cargos, como parte de um plano de carreira. Segundo o presidente da Associação dos Delegados de Polícia de Sergipe (Adepol), Kássio Viana, a medida já existe na Polícia Federal e em outras polícias estaduais. "Na PF, cada delegado sabe que a cada cinco anos vai ser promovido. Em Sergipe, nossa carreira está travada. Eu mesmo tenho 11 anos de carreira como delegado de polícia, nunca mudei de classe e nem tenho perspectivas de promoção. Isso acontece também com a grande maioria dos delegados de polícia", disse o delegado. Nesta segunda, às 15h, os representantes da Adepol serão recebidos no Palácio de Veraneio, em uma audiência com o governador Jackson Barreto. (Gabriel Damásio)


