Atraso na entrega de casas gera novos problemas

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Na manhã de ontem agentes da Polícia Militar e Guarda Municipal deram início a uma operação para retirar mais de 100 pessoas que invadiram as casas ainda sendo construídas pela Prefeitura de Aracaju no bairro 17 de Março. Comandados pelo major Edênisson Paixão, as tropas tiveram dificuldade devido à resistência de alguns populares que chegaram a passar mal e necessitaram do apoio de equipes do Samu. De acordo com o projeto da PMA, as casas serão utilizadas para acomodar antigos moradores das invasões Arrozal, Água Fina, Marivan e Morro do Avião.

Alguns invasores possuem inscrições para recebimento das casas, mas ainda não foram contemplados porque os imóveis estão em fase final de conclusão. Com receio dos vândalos, alguns deles decidiram se apropriar imediatamente das residências. Segundo declarações de Valter Duarte, colaborador de projetos sociais do local, outras irregularidades estão ocorrendo e o governo municipal não toma providências. "Cada um só está pleiteando o que o secretário Bosco Rolemberg e outros gestores já garantiram que é deles, mas a entrega não é feita e muitos não têm pra onde ir", disse.

Apesar do pedido de paciência e contribuição por parte dos invasores, a ação até que começou pacífica, mas pouco tempo depois um grupo decidiu dificultar a missão policial. O que já era tenso no início da manhã ficou ainda mais conturbado no período da tarde quando os moradores reclamaram de atitudes truculentas por parte dos agentes, e decidiram revidar. De acordo com informações dos moradores, a Guarda Municipal preferiu se retirar, mas com a garantia de que as famílias também devam sair gradativamente.

"Infelizmente foi nos dado um prazo para que possamos sair daqui e ir para outro lugar sem ter que bater de frente com os policiais, mas o que eles não entendem é que nós não temos para onde ir. Se tivéssemos, não estaríamos passando por isso", ressaltou a catadora de latinhas, Michele dos Santos, que mora no mesmo local com o marido, três filhos e mais dois irmãos.

O que vem indignando alguns gestores públicos é a falta de conscientização de alguns beneficiados, que ao invés de usufruírem do benefício, preferem comercializar a residência e ocupar outras invasões. Em entrevista, o secretário Bosco Rolemberg, responsável pela Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania (Semasc), informou que as famílias devem aguardar para que o processo de posse seja devidamente concluído.

"Apesar do atraso, nosso compromisso habitacional permanece, mas para que possamos concluir as obras necessitamos primeiramente do apoio de cada um. Garantimos que enquanto o sorteio dos contemplados não seja realizado, eles permanecem recebendo o auxílio moradia", informou. Para resolver a desocupação temporária, uma nova reunião entre as partes deve ocorrer até o final da tarde de hoje.

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