Audiovisual fortalecido

*Anderson Bruno

No último dia 26 de Dezembro, a Secretaria de Estado da Cultura realizou a exibição de cinco curtas-metragens contemplados no projeto "Edital Orlando Vieira de Apoio à Produção de Obras Audiovisuais Digitais de Curta Metragem" no auditório do Museu da Gente Sergipana. Com a casa lotada, as pessoas se espremiam para ver o resultado em imagens daqueles que outrora eram apenas projetos de pretensos realizadores audiovisuais de terras sergipanas e que, de repente, ganharam vida com o auxílio financeiro do edital. Uma lástima. O resultado final ficou aquém do esperado. O que prevaleceu foram falhas na direção de curtas como ‘Aracajoubert’, de Jade Moraes, e ‘Tudo vai Ficar Bem’, de Cleiton Lobo. As temáticas foram mostradas, mas a condução se perdeu no caminho.  Um destaque positivo na primeira produção é o registro de um profissional sergipano, ícone das artes em nosso estado: Joubert Moraes. Já no segundo curta fica o mérito de um bom roteiro de Cláudio Pereira, junto a uma interpretação marcante de Carlos Augusto de Lima. Bravo!

Não adianta colocar o prefeito João Alves Filho para prestar depoimento, realizar tomadas aéreas da cidade de Aracaju e fazer reprodução de época se o material final fica apenas no raso. Foi o que aconteceu com ‘Hotel Palace’, produção de André Aragão. Este curta-metragem teve seu resultado final tão arruinado quanto o hotel em questão. Uma pena.

O ‘Luzeiro’, de Raphael Borges, até que começou bem. Mas seu encaminhar se mostrou paradoxal entre a força da sua mensagem política e a pobreza de sua narrativa fílmica. O destaque ficou por conta de ‘Caixa D´água: Qui-Lombo é esse’, de Everlane Moraes. Este, sim, pode participar das mostras e festivais de curtas-metragens no Brasil inteiro sem medo de ser feliz. Everlane e sua equipe conseguiram manter o foco temático sobre o povo quilombola da área do Centro de Criatividade e bairro Cirurgia e, mais que isso, construiu, sem exageros, fanatismos ou apologias gratuitas, um excelente material de um povo para o povo. Um belo trabalho.

Sergipe está numa fase muito boa para o audiovisual. Produções em crescimento, pessoas interessadas em estudar, experimentar e ousar nas produções. Há também a classe dos profissionais da área, sempre em crescente diálogo. Características que transformam em destaque a arte de se produzir filmes no Estado como há tempos não se via. Apenas falta um pouco de cuidado ao lidar com a técnica que o meio cinematográfico exige, porque condição humana e vontade nós temos. Basta não se precipitar e trabalhar a calma e a paciência. Não meter os pés pelas mãos. E aguardemos os próximos editais e produções independentes.

*Anderson Bruno é crítico audiovisual.

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