Ave, Medina!

Cleiber Vieira

Acabei de ler “Escritos outonais”, o mais recente livro da escritora e acadêmica da Academia Sergipana de Letras Ana Maria da Fonseca Medina. Nele, a autora, do alto de sua capacidade intelectual, conta e reconta histórias e estórias de figuras populares, como “Maria Cheirosa” e “João do Cachorro”, de Boquim, e também sobre as expressivas personalidades sergipanas do meio artístico, literário, poético, religioso com desenvoltura vocabular arquitetando sua lúcida estética.
Entre os poetas sobre os quais discorre destacamos Alberto Carvalho, Góes Duarte, Hermes Fontes, Wagner Ribeiro, Enaldo Costa e o lírico Estácio Bahia Guimarães. Também os artistas plásticos Florival Santos e J. Freire Pinto (da família dos intelectuais Felisberto Freire e LaudelinoFreire), que se tornou um mecenas das artes. Há, ainda, membros da igreja, a exemplo: o padre José Gumercindo Santos e o arcebispo de Aracaju Dom Luciano José Cabral Duarte e tantos outras figuras proeminentes da nossa cultura que marcaram época.
Sobre a autora, já falei num artigo há muitos anos na extinta “Gazeta News”. Agora, digo mais. Antes, registro que a grande literatura, independentemente de ser romance, poesia, ensaio ou artigo, sempre depende de certo comprometimento com o mundo real, o que é expresso em textos dessa escritora e ensaísta sergipana formada em letras (português/francês) pela antiga Faculdade de Filosofia de Sergipe e que já publicou, entre outras, as seguintes obras: “Ponte do imperador”, “Memórias de Ordem do Mérito Serigy”, “Cartas de Hermes Fontes: angústia e ternura”, “As efemérides sergipanas”, “Mário Cabral: vida e obra”, “Trilhando memórias”.
Ana Medina é também articulista, ensaísta e cronista com característicasque a fazem diferente de outras expressões da literatura feminina em Sergipe.
De aparência calma, a autodisciplinada Ana Maria da Fonseca Medina procura agir sempre com diplomacia e firmeza de caráter no trato com o outro e com os seus biografados, destacando-se sempre pelo senso de responsabilidade, imponência refinada e organização.
Além de conhecer seu ofício literário, a cronista traz consigo grande desejo de servir ao Ser supremo pela atuação cristã. Nela,notamos a educação recebida como herança da formação acadêmico-religiosa.
Eis, em rápidas “pinceladas”, o retrato literário dessa sergipana, que, no exercício da escritura, faz-se respeitada pela produção cultural, com que nos tem presenteado ao longo de quase trinta anos.

Cleiber Vieira, presidente da Associação Sergipana de Imprensa.

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