Milton Alves Júnior
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Sergipe entra em estado de alerta diante do sur-to da bactéria Klebsiella Pneumoniae Carbapenemase (KPC) que já atinge os principais hospitais públicos e particulares. Conforme dados apresentados esta semana pela Secretaria de Estado da Saúde (SES), até a tarde de ontem 72 pacientes internados em uma das unidades de terapia intensiva (UTI) foram infectados com a bactéria, sendo que 19 não suportaram os efeitos da KPC e vieram a óbito só este ano. Apesar dos números assustadores, a infectologista e coordenadora de controle de infecção do Hospital de Urgência de Sergipe, Isa Lobo, garante que todas as mortes não podem ser atreladas apenas à bactéria como responsável pelo falecimento. 16, das 19 vítimas foram registrados no Huse.
Desde o último mês de maio cerca de 130 pessoas em atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS), em Sergipe, já se submeteram a análises clínicas para diagnosticar, ou não, a presença da super bactéria. 65 apresentaram diagnóstico positivo, 47 foram curadas e receberam alta; os demais não suportaram as complicações e faleceram. No maior hospital público de Sergipe 13 pacientes se recuperaram e receberam alta médica, 10 ainda estão internados em UTI’s isoladas. Segundo laudos clínicos apresentados pela SES, em parceria com a Fundação Hospitalar de Saúde (FHS), a maioria destes pacientes pertence a um quadro irreversível de saúde. Outra grande unidade que apresenta preocupação à classe médica trata-se do Hospital Primavera que já contabiliza dois óbitos com registro da KPC.
De acordo com Isa Lobo, é preciso que as pessoas tenham conhecimento que não apenas a super bactéria foi responsável pela morte de muitos sergipanos nos últimos cinco meses. Conforme explicado de forma detalhada pela especialista, quadros complicados de saúde interferiram no combate à bactéria. "Essas pessoas que morreram estavam debilitadas e com outras doenças. Os pacientes morreram com a KPC, mas não podemos afirmar que foi a bactéria que ocasionou a morte, todos estavam com outras doenças graves. Sergipe foi o último estado a detectar a KPC em todo o Brasil, ela demorou para chegar aqui. Estamos trabalhando intensamente para que possamos diminuir os efeitos da bactéria e consequentemente garantir que outros pacientes não tenham o quadro complicado", afirmou.
Na primeira etapa da bactéria oficialmente registrada em Sergipe, a Secretaria de Estado da Saúde (SES) informou que a taxa de mortalidade em pacientes com infecção pela bactéria manteve-se em 3,7% (2/54), sendo de 9,2% (5/54) em pacientes colonizados; nestes últimos, os óbitos ocorreram por outras causas clínicas (cardíacas, neurológicas, hemorrágicas). Quanto a esta segunda etapa da KCP dentro do Huse, a superintendente Lobo garante que o esforço operacional e logístico realizado em conjunto pelo Serviço de Controle de Infecção Hospitalar (SCIH), a Fundação Hospitalar de Saúde e a SES contribui para o grupo alcançar aspectos positivos em curto prazo. Ela enaltece que esta situação tem sido diagnosticada em diversos países.
Nos 11 casos registrados no Hospital Primavera a direção da unidade informou que UTI 1, onde foram detectados os casos, foi emergencialmente destinada apenas para os pacientes com a bactéria. A perspectiva da administração é combater a KPC antes que ela comece a se propagar nas demais unidades de UTI. De acordo com a diretora técnica e clínica do Hospital, Madeleine Ramos, os pacientes em UTI que são de longa data e usam vários tipos de antibióticos estão sendo submetidos a exames para detectar a bactéria constantemente. "Essa é uma segurança de vigilância do hospital. Quando o paciente é identificado com a bactéria, fazemos um teste de sensibilidade, isso serve para saber a eficácia dos medicamentos no organismo do paciente. Foi esse procedimento que fizemos", garantiu.
Entenda – Dados do Ministério da Saúde mostram que a KPC trata-se de um microorganismo que foi modificado geneticamente no ambiente hospitalar e que é resistente aos antibióticos. No geral, os sintomas da bactéria KPC são como o de outras infecções, tais como febre, dores na bexiga (infecção urinária), tosse (infecção respiratória). A população não deve se preocupar, uma vez que a infecção por enquanto corre apenas dentro dos hospitais, e acontece basicamente por contato com secreção ou excreção de pacientes infectados. Para os pacientes e acompanhantes que encontram-se na unidade hospitalar o receio é de contaminação generalizada.
Conforme informado pela assessoria de comunicação da Secretaria de Saúde, e do Hospital de Urgência, a perspectiva é que na próxima semana um novo laudo clínico possa apresentar informações atualizadas quanto ao trabalho de combate à KPC. Outros casos foram registrados no Hospital de Cirurgia, onde um óbito já foi confirmado pela direção da unidade.


