Baleia é resgatada

Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br

Uma intensa movimentação de bombeiros, policiais e cientistas chamou a atenção de quem passava ontem de manhã pelo Calçadão da Praia Formosa, na 13 de Julho (zona sul de Aracaju). Porvolta das 10h, eles foram chamados para resgatar um filhote de baleia jubarte que se desgarrou da família e entrou na foz do Rio Sergipe, sendo levado até a área construída no estuário e chegou a bater contra as pedras do molhe. O animal, que pertence a uma espécie rara de mamíferos aquáticos, tem pouco menos de um ano de nascido, aproximadamente cinco metros de comprimento e duas toneladas de massa corporal.
Cerca de 20 pessoas, entre soldados da Marinha e do Corpo de Bombeiros, pescadores e veterinários da Fundação Mamíferos Aquáticos (FMA), permaneceram no local durante cerca de cinco horas, em uma tentativa de retirar o filhote do rio e levá-lo de volta até seu grupo, em alto mar. Isso só foi possível por volta das 15h, com a chegada de duas embarcações da Petrobras que fizeram uma espécie de bote para transportar o animal. O resgate demorou muito por causa do estado de saúde do filhote: segundo os pesquisadores, ele estava fraco, cansado, desorientado e com o corpo ferido pelo choque com as pedras.
"Nessa época do ano, essas baleias jubarte costumam frequentar a costa sergipana. São animais que vem das águas mais frias para a fase de reprodução no Nordeste brasileiro. O ato desse filhote ter entrado no Rio Sergipe é um fato atípico, porque o padrão desses animais é ficar no mar, junto à costa. Acontece que Sergipe tem a peculiaridade de ter uma plataforma continental muito estreita, fazendo com que esses animais de águas profundas se aproximem muito. Então, provavelmente esse filhote se perdeu da mãe e, em decorrência das correntes, acabou entrando no rio e chegou até um estuário, local que não é comum ter esse tipo de encalhe", explicou a pesquisadora Jociery Vergara Parente, coordenadora científica da FMA.
Um helicóptero do Grupamento Tático-Aéreo (GTA) também foi acionado para localizar o grupo de baleias jubartes que passou pelo litoral sergipano e do qual o filhote teria se desgarrado. As buscas foram orientadas por outro pesquisador da FMA. Equipes da Polícia Militar também foram chamadas para conter a aproximação dos curiosos que se aglomeravam no calçadão. Os bombeiros e veterinários aplicavam medicamentos com seringas para aliviar o quadro geral de saúde da baleia, que correu o risco de morrer caso não fosse levada de volta ao mar. O objetivo da ação, conforme os cientistas, foi minimizar o cansaço e o estresse do animal até que ele reencontrasse a família."É um filhote que depende da mãe para se alimentar e ser orientado", resumiu Jociery.
As baleias jubarte costumam ser mais vistas entre julho e novembro no litoral da Bahia e do Espírito Santo, embora haja registro da presença delas em toda a costa brasileira, incluindo Sergipe. Estima-se que o país tenha atualmente mais de 20 mil mamíferos da espécie. Em 2014, a jubarte foi retirada da lista de animais ameaçados de extinção, por causa do aumento da reprodução e da proibição da caça às baleias, em vigor desde 1987. 

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