Bancários sinalizam com greve nacional

Kátia Azevedo
katiaazevedo@jornaldodiase.com.br

Os bancários de Sergipe devem aderir em breve a uma possível greve que vem sendo discutida por entidades sindicais que representam a categoria em vários estados brasileiros. A decisão em paralisar as atividades será o principal tema de uma assembleia que será realizada ainda nesta semana.

Ontem, Dia Nacional de Luta, os bancários de Sergipe realizaram um ato público na Travessa José Faro Rollemberg, Centro da capital sergipana, para exigirem que a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) apresente uma proposta sobre a Campanha Salarial 2014/2015 envolvendo 12,5% de reajuste em cima da inflação, com ganho real de 5%, além de restruturação da carreira e melhores condições de trabalho.
"Hoje inicia a segunda rodada de negociação e até sexta-feira esperamos que os banqueiros apresentem uma proposta em relação às reivindicações da categoria. De posse do documento com as propostas, faremos uma assembleia com o propósito de convocarmos todos os trabalhadores e fazermos uma avaliação coletiva sobre a decisão de deflagrar ou não uma greve", explica Ivânia Pereira, diretora de Comunicação do Sindicato dos Bancários de Sergipe (SEEB/SE).

Ela ressalta que outra reivindicação da categoria é o fim das metas e convocação de aprovados em concurso público. "Não podemos cumprir a Lei dos 15 minutos com a aplicação de metas altas e pouco pessoal, situação que vem gerando a sobrecarga de trabalho e consequentes doenças laborais causadas pelo excesso de demandas", alerta.

Ivânia disse que a atual condição de trabalho nos bancos é o principal motivo do crescente número de bancários que adoecem. De acordo com levantamento produzido sobre o assunto, foi constatado que 20% estão tomando medicamentos de tarja preta no tratamento de patologias geradas no espaço de trabalho.
O Comando Nacional dos Bancários se reúne com a Fenabran no dia 19, quando os bancários apresentam uma proposta global para as reivindicações da Campanha 2014.
A reunião de sexta-feira será precedida de duas novas rodadas de discussões, que já estavam agendadas. Nesta terça-feira os bancos apresentarão o resultado do II Censo da Diversidade e os dados sobre afastamentos de bancários no trabalho. Amanhã, quarta-feira, serão debatidos os temas pendentes das rodadas anteriores.

Os bancários também querem pautar demandas sociais, como o fim das metas abusivas e do assédio moral, a preservação da saúde, a proteção ao emprego e o fim da rotatividade e das terceirizações, mais segurança e igualdade de oportunidades.
Nas quatro rodadas de negociações com a Fenaban, concluídas no dia 11, foram discutidas todas as demandas referentes aos temas prioritários para a categoria bancária. Os bancos, no entanto, não apresentaram propostas.

O Comando Nacional dos Bancários apresentou levantamento do Dieese mostrando que 93,2% dos acordos salariais assinados pelos trabalhadores no primeiro semestre contemplaram reajustes superiores ao índice de inflação, deixando claro que aumento real é fundamental para a categoria.
Os trabalhadores também querem que seja implementado um novo modelo de Participação de Lucros e Resultados (PLR) de três salários mais valor fixo de R$ 6.247,26 por considerar que a atual fórmula é muito complexa, pouco transparente e não remunera os bancários de forma adequada.

Outra proposta dos bancários é a reivindicação de aumento dos salários de ingresso de R$ 2.979,29 para escriturário e R$ 4.021,99 para caixa e tesouraria, além da implementação de pisos de R$ 5.064,73 para primeiro comissionado e de R$ 6.703,31 para primeiro gerente.
Os bancos alegam que se trata de política de cada empresa, não cabendo discussão na mesa da Fenaban. Os representantes dos bancários também defendem a reivindicação histórica de criação de planos de cargos e salários (PCS) em todos os bancos, a exemplo do que já existe nas instituições públicas.

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