Bancas e lanchonetes serão retiradas de praças

Milton Alves Júnior

Donos de lanchonetes e bancas de revistas instaladas nas praças Camerino e Tobias Barreto, em Aracaju, estão recebendo notificações oficiais de despejo por parte da Prefeitura de Aracaju que alega ter adotado a medida devido ao novo Plano Diretor que está sendo desenvolvido na capital sergipana. Trabalhando nas praças há mais de 15 anos, os comerciantes criticam os critérios adotados pela administração municipal e lamentam a possibilidade de deixar o local após a inauguração das reformas que já estão em fase de conclusão. Indignados com a situação, os donos de estabelecimentos esperam que a sociedade possa se somar ao pleito dos comerciantes e sensibilizar o prefeito João Alves a não proceder com a reintegração de posse.

Preocupado com a notificação, o vendedor Lúcio Pereira, que trabalha em uma lanchonete há mais de 20 anos, disse que o atual clima é de nervosismo e que alguns comerciantes já deveriam ter deixado o local desde o último dia 11. Para ele, a falta de diálogo entre gestores públicos, sociedade e trabalhadores está contribuindo para que várias famílias reprovem a atitude adotada judicialmente pela prefeitura. "Depois que fomos informados dessa determinação todo mundo está preocupado com a inauguração dessas obras. Agora que todo mundo estava sonhando com melhores lucros, uma vida melhor e até ampliar o número de produtos, o que percebemos é que nada disso pode se tornar realidade", afirmou.

Após a primeira notificação ter sido expedida, os vendedores se reuniram e decidiram pedir da justiça uma liminar que pudesse derrubar a notificação da prefeitura. O pleito foi conquistado, mas para desagradável surpresa dos trabalhadores essa semana uma nova notificação foi apresentada. Uma dessas comunicações foi enviada para o comerciante Márcio Henrique que trabalha na Praça Camerino há mais de 20 anos. Segundo ele, no início do ano houve uma reunião entre administradores e vendedores, mas nenhum acordo firmado na reunião foi respeitado pela prefeitura. "Estamos surpresos com essa determinação porque o que ficou acordado em uma reunião em abril nada está sendo respeitado. Participamos de um encontro com vários órgãos municipais pensando em melhoria e agora somos despejados", disse.

Conforme declarado na notificação, os comerciantes devem deixar o espaço em um prazo máximo de oito dias úteis. Apesar do apoio de alguns parlamentares sergipanos, Márcio garante que a prefeitura permanece irredutível e exige a desapropriação imediata. Em posse do documento de despejo, ele denuncia uma possível falta de compromisso por parte dos governantes municipais. "Quando a gente achou que o nosso futuro seria melhor, olha só o que a gente recebe de presente. As promessas durante a eleição e depois de eleito não foram cumpridas. Vamos continuar brigando para não perder o nosso pão de cada dia", afirmou. Cerca de 40 pessoas trabalham nos estabelecimentos e apenas os dois quiosques mais antigos de cada praça devem permanecer.

Ainda na tentativa de sensibilizar o prefeito João Alves, Márcio criou um abaixo-assinado a fim de colher a assinatura da população e o apoio dos frequentadores. De acordo com Márcio, até o momento mais de 700 pessoas já assinaram o documento. "Essa é mais uma prova da injustiça que estão fazendo com a gente. Gastei mais de dois mil reais pra melhorar meu ponto de venda e o que a prefeitura faz é nos expulsar. Espero que João esteja vendo tudo isso e interceda porque votamos nele pensando no progresso e não no desemprego", concluiu.

Emsurb – No final da tarde de ontem a Assessoria de Comunicação da Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb), órgão municipal responsável por administrar as praças públicas, informou que, conforme exigências da obra que foi promovida dentro das exigências do Plano Diretor, a cada quatro mil metros quadrados apenas um equipamento (quiosque) deve permanecer. Sendo assim, na Praça Camerino ficam os dois mais antigos e na Praça Tobias Barreto, por ser maior, ficam os três com maior tempo de serviço.
Pelo diretor de espaços públicos da Emsurb, Luís Carlos (Branca de Neve), foi informado que esses comerciantes despejados serão incluídos em uma lista de aracajuanos que pleiteiam um espaço público para realizar algum tipo de comércio. Até o início da noite de ontem o segundo pedido de reintegração não foi derrubado e os comerciantes notificados permanecem obrigados a deixar o espaço.

Compartilhe esta notícia