Bandidos destroem mais duas agências bancárias no interior

Gabriel Damásio

Oito minutos. Este foi o tempo suficiente para a destruição de mais duas agências bancárias numa mesma cidade no interior do estado. A nova demonstração de ousadia das quadrilhas de assaltantes aconteceu em plena madrugada, às 2h40 de ontem, em Itabaianinha (Sul), quando um grupo de criminosos explodiu dinamite em cinco caixas eletrônicos das agências locais do Bradesco e do Banco do Brasil. A quantia roubada não foi calculada pelas empresas, mas os estragos foram imensos, a ponto de destruir parte do teto da Prefeitura Municipal, vizinho ao BB, e a porta de vidro de uma concessionária de veículos em frente ao Bradesco.  

O ataque que alarmou a população do município teve as mesmas características das explosões ocorridas três meses antes, em 7 de novembro de 2012, nas agências dos mesmos bancos em Riachão do Dantas (Centro-Sul), das quais os criminosos levaram R$ 231 mil em dinheiro, em um intervalo de 15 minutos. A polícia considera, entre as hipóteses de investigação, alguma relação entre as duas ações criminosas. No entanto, algumas diferenças as separam, como a rapidez dos assaltantes e a destruição quase total dos bandos de Itabaianinha, o que leva a polícia a supor que uma carga maior de dinamite foi usada para arrebentar os caixas eletrônicos.

Segundo o que foi apurado até o momento, aproximadamente 15 bandidos encapuzados e fortemente armados executaram os assaltos em três carros de cor escura – um deles, que é um VW Crossfox, foi queimado e abandonado horas depois em uma estrada de terra entre Itabaianinha e Arauá, onde a carcaça foi achada no final da manhã pela polícia. O primeiro banco invadido foi o BB, onde um guarda municipal que fazia a segurança do prédio da Prefeitura foi cercado e teve seu revólver tomado. Após isso, dois homens entraram na agência e colocaram as bananas de dinamite ao lado dos sete caixas eletrônicos da unidade. Apenas três foram destruídos e tiveram suas gavetas de dinheiro levadas.

Os criminosos recolheram o dinheiro e seguiram para o Bradesco, que fica a menos de 500 metros do BB. Lá, não havia vigilantes, mas três bandidos ficaram do lado de fora, armados e dando tiros para o alto, a fim de intimidar quem saísse de casa para tentar ver o que estava acontecendo. Os outros dois entraram no banco e colocaram mais dinamite nos três caixas. A explosão arrebentou dois dos equipamentos, mas não destruiu os cofres, e os bandidos fugiram sem levar o dinheiro.

Nos dois locais, a destruição era visível. Os tetos de gesso e as portas e paredes de vidro caíram ou estilhaçaram. Móveis foram quebrados, objetos e documentos ficaram espalhados e paredes de alvenaria dos bancos e dos imóveis vizinhos saíram rachadas. Os tiros disparados durante a passagem da quadrilha acertaram algumas casas, mas ninguém se feriu.

A ação imediata da polícia também foi dificultada pelos assaltantes, que, antes de atacar os bancos, tiveram o cuidado de trocar o cadeado dos portões do recém-inaugurado Centro Integrado de Segurança Pública (Cisp), que reúne a Delegacia de Polícia Civil e a 3ª Companhia do 6º Batalhão da Polícia Militar (3ª Cia/6º BPM). Sem que os PMs de plantão percebessem, os ladrões serraram o cadeado antigo e trancaram o portão de entrada com o novo. Ao serem alertados do assalto, os policiais usaram um alicate para cortá-lo e conseguiram sair com a viatura. Equipes das companhias de Tobias Barreto, Arauá, Cristinápolis e do 6º BPM, em Estância, foram enviados para reforçar o patrulhamento na região.

Pela manhã, equipes do Instituto de Criminalística e do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) estiveram em Itabaianinha e levantaram informações sobre os assaltos, além de recolher os cadeados serrados. A investigação do caso corre em sigilo, mas está definida como prioridade pela Secretaria da Segurança Pública (SSP). A previsão é de que as agências bancárias permaneçam fechadas à população por tempo indeterminado, até que sejam amplamente reformadas.

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