Gabriel Damásio
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Mais uma unidade bancária foi parcialmente destruída por criminosos no interior do estado. Desta vez, o alvo foi uma agência do Banco do Brasil na Rua Benjamin Constant, centro de Umbaúba (Sul), cujos caixas eletrônicos foram explodidos por volta das 2h30 de ontem. Segundo as primeiras informações da polícia, o crime foi cometido por quatro homens encapuzados e armados com pistolas calibre 380 e escopetas calibre 12 com dispositivo de repetição, que permite o disparo de vários tiros em sequência. Os bandidos ainda tomaram dois homens como reféns e fugiram da cidade fazendo disparos, chegando a passar pela porta da Delegacia de Polícia local.
A explosão, provavelmente causada por bananas de dinamite, destruiu quatro caixas eletrônicos e toda a área de autoatendimento do banco, mas apenas um dos equipamentos teve o seu cofre arrebentado, possibilitando o acesso dos ladrões ao dinheiro. O valor roubado não foi divulgado pela gerência do BB, que suspendeu o expediente para garantir o trabalho da polícia.
Durante todo o dia, equipes do Instituto de Criminalística e do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) estiveram em Umbaúba para levantar informações e ouvir os depoimentos de testemunhas. Os dois reféns, um vigilante de rua e o motorista de uma cerâmica da cidade que estava buscando funcionários para iniciar um turno de trabalho, foram libertados sem ferimentos junto à entrada da cidade vizinha de Cristinápolis, sendo igualmente ouvidos formalmente pela polícia.
Na hora do ataque, apenas um agente de polícia, de prenome Bernardino, estava de plantão na delegacia. Ele contou que tinha acabado de retornar de uma diligência que fez na rua e estava ao telefone quando ouviu sons de tiros. "Depois que eu desliguei o telefone, um Siena preto passou pela BR [101], que fica em frente à delegacia, e os suspeitos faziam vários disparos na pista, não exatamente em direção ao prédio, mas atirando para cima. Quando eu ia saindo, recebi a ligação de um colega me alertando que eu não saísse de lá, porque a agência do banco foi explodida", relatou, admitindo que desobedeceu a ordem do colega e foi até o banco, onde constatou a destruição causada na área de caixas eletrônicos.
No local, o agente foi avisado por testemunhas que os quatro bandidos tinham levado dois homens como reféns. De acordo com o agente, os assaltantes os renderam antes de explodir o caixa, porque eles estavam perto do banco. "Os reféns presenciaram toda a ação dos assaltantes dentro do banco. Eles [os bandidos] achavam que, se os reféns ficassem na rua, eles poderiam acionar a polícia e atrapalhar a ação. Então eles os mantiveram na frente do banco, onde três entraram e outro ficou com as vítimas do lado de fora", confirmou Bernardino.
Outras testemunhas, sendo alguns comerciantes que possuem lojas na vizinhança, relataram que ouviram duas explosões fortes dentro do BB e, ao ver o que estava acontecendo, foram ameaçados pelos criminosos. Viram também que, depois de recolher o dinheiro, três dos criminosos colocaram o vigia e o motorista dentro do Siena preto, enquanto o quarto saiu com o carro do funcionário da cerâmica.
Minutos depois, os reféns e o carro foram encontrados a seis quilômetros da agência, já próximo à entrada de Cristinápolis. As vítimas foram resgatadas sem ferimentos pelo próprio agente Bernardino, que saiu sozinho em busca delas. "Deu a entender que os autores do assalto fugiram amedrontados, porque eles saíram do banco gritando que estavam com refém e fazendo disparos. Certamente eles fizeram isso para garantir a fuga deles e evitar o risco de um possível confronto", suspeita o policial civil, ao ressaltar que ninguém ficou ferido, nem a delegacia foi atingida.
A explosão acionou reforços de policiais civis e militares de cidades vizinhas, além de equipes do 6º Batalhão da PM, em Estância, e do Grupo de Ações Táticas do Interior (Gati), enviados de Aracaju. As buscas pelos quatro assaltantes se seguiram por todo o dia, em paralelo às investigações da Polícia Civil. Este foi o quarto ataque de bandidos a agências bancárias do interior do estado em 2014. Os outros três assaltos aconteceram nas cidades de Capela, Siriri e Moita Bonita. A agência do BB de Umbaúba, por sua vez, já havia sofrido uma tentativa frustrada de arrombamento em dezembro de 2012. A previsão do banco é de que os caixas eletrônicos fiquem sem funcionar pelos próximos 15 dias.


