Bandidos invadem sítio e matam ex-sargento

Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br

O policial militar reformado Manoel Messias Filho, 63 anos, foi assassinado em mais um latrocínio (roubo seguido de assalto) ocorrido em Sergipe. O crime aconteceu por volta das 5h de domingo em uma fazenda no loteamento Cantinho do Céu, povoado Cabrita, em São Cristóvão (Grande Aracaju). Na ocasião, quatro homens armados entraram no local, anunciaram o assalto e tomaram como reféns outros três empregados da fazenda, além de roubarem dois carros e duas armas do ex-policial. A vítima, que era sargento, levou um tiro de escopeta nas costas, quando foi identificado como policial e tentou fugir dos marginais.

De acordo com os reféns, criminosos estavam encapuzados e armados com espingardas e escopetas, entrando na fazenda enquanto um empregado ordenhava as vacas. Na abordagem, os bandidos logo desconfiaram de Messias ao ver um revólver calibre 38. Segundo o capitão Rivaldo Soares, do Getam, o sargento disse ser vigilante, mas foi descoberto depois que os bandidos descobriram uma pistola ponto 40 no carro da vítima. "Nesse momento, eles pegaram o sargento, disseram que ele era polícia e ele voltou a dizer que não. Mandaram em seguida os reféns deitarem. O sargento, com medo, sabendo que ele ia morrer, levantou e correu. Um dos elementos gritou: ‘Atira! Atira!’, e infelizmente o sargento foi executado", disse ele.

O corpo do militar reformado foi enterrado ontem à tarde no cemitério municipal de Riachuelo (Vale do Cotinguiba), após ser velado no centro de Aracaju. Messias teve 35 anos de carreira na Polícia Militar e estava há três anos na reserva remunerada.
O crime provocou uma reação rápida da PM, que enviou equipes do Batalhão de Radiopatrulha (BPRp) e do Grupamento Especial Tático de Ações com Motos (Getam). Houve uma perseguição pela Rodovia João Bebe-Água, que terminou com um tiroteio próximo ao povoado Cabrita. Lá, os suspeitos abandonaram os dois carros e tentaram fugir por um matagal. Os reféns estavam nos porta-malas dos veículos e também foram abandonados durante o confronto, sem qualquer ferimento.

"Nesse caminho, na vicinal que chega no Cantinho do Céu, a guarnição se deparou com dois carros, o [Nissan] Tiida que era do sargento e a [VW] Saveiro que pertence ao dono da chácara que foi roubada. Quando montamos o bloqueio pra fazer a abordagem, os indivíduos abriram a porta da Saveiro e já disparando contra a guarnição. O pessoal que estava no carro do sargento também fugiu levando armas longas", descreve o tenente Freitas, do BPRp.
Após o tiroteio, as buscas dos policiais continuaram e resultaram nas prisões de dois suspeitos. O primeiro, José Augusto da Cruz, o ‘Dodô’, 37, foi preso pelo BPRp e acabou reconhecido porque estava com algumas roupas sujas que acabaram reconhecidas pelos reféns. Já o segundo, cujo nome não é confirmado, foi capturado pelo Getam e acusado de guardar uma escopeta em sua residência, a qual, de acordo com o capitão Rivaldo, seria a mesma que foi utilizada no assalto.

Apesar de a PM ter certeza de que os dois participaram do assalto à fazenda, a Polícia Civil acredita que a atuação do segundo homem ainda precisa ser apurada. "Até o momento, não há provas do envolvimento dele com o latrocínio. Ele ficou preso pelo crime de posse irregular de arma de fogo por ter uma arma em sua residência sem os registros exigidos pela Lei do Desarmamento. Os primeiros levantamentos mostram que ‘Dodô’ participou efetivamente da ação", explicou o delegado José Inephânio Cardoso, coordenador das Delegacias da Capital.
A suspeita da polícia é de que outras pessoas passaram informações aos criminosos, pois eles estariam sabendo que o dono do sítio estaria com dinheiro guardado, referente à venda recente de alguns animais. A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que a investigação do crime será assumida pelo Complexo de Operações Policiais Especiais (Cope). Informações sobre o caso podem ser repassadas para o Disque Denúncia (181). A ligação é anônima e gratuita.

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