Milton Alves Júnior
Mais uma vez escolas da rede pública se tornaram alvo de bandidos. Na noite da última quinta-feira, 18, dois suspeitos utilizando fardas de uma instituição de ensino no bairro Santa Maria, em Aracaju, entraram na unidade e renderam os vigilantes. Cientes que os agentes estavam armados, os marginais renderam os profissionais e exigiram que coletes, algemas e demais objetos fossem entregues. Em menos de 15 minutos o grupo promoveu um arrastão entre os funcionários e estudantes, e em seguida evadiram em rota ainda desconhecida pelos órgãos de segurança pública.
Agressivos e aparentemente nervosos, eles ameaçaram tirar a vida de vigilantes e professores caso as vítimas apresentassem qualquer sinal de reação. Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), gestores da escola estão sendo ouvidos a fim de colaborar na identificação dos marginais. Até o início da noite de ontem o setor de inteligência da Polícia Civil não havia apresentado novidades sobre o caso. Sem medo de represálias, o professor Anderson Marcos Filho afirmou que o clima de insegurança tem causado pânico na Zona de Expansão da capital sergipana. O docente destaca que as escolas têm sido foco da marginalidade devido à vulnerabilidade das instalações.
"Observe quantas escolas estão sendo facilmente invadida por gangues que agora não respeitam nem mais as crianças e adolescentes. O pior é que o estado sabe dessa fragilidade e não reúne os funcionários para buscar soluções. Outra questão a se investigar é se tem pessoas dentro das escolas passando informações precisas. Digo isso porque desta vez os marginais já sabiam onde estava a arma com as munições. Precisamos de ajuda, as escolas não podem ficar na mão da bandidagem", declarou. A Assessoria de Comunicação da SSP informou que as investigações continuam e não descartam as possibilidades induzidas pelo professor.
Compartilhado com as alegações do professor, o auxiliar de pedreiro Anderson Jackson alegou que o filho e mais dois sobrinhos já foram vítimas de ladroes que transitam pela área. "Antes isso só acontecia nas ruas perto das escolas ou nos pontos de ônibus, agora a situação é ainda pior. Meu filho e dois primos foram parados na porta da escola e tiveram que dar os celulares, como o meu filho não tem, eles pediram os livros e o relógio. Já foi o tempo que a gente ia para a escola e era tudo tranquilo", lamentou.
A Secretaria de Estado da Educação (SEED) também tenta colaborar com as investigações."Enquanto as pessoas continuarem dizendo que vai investigar e não resolvem nada, as nossas crianças vão continuar indo para as escolas com medo e os pais ficarão ainda mais apreensivos. É preciso que as promessas saiam do papel e se tornem reais para o bem de todos", pontuou o professor. Apenas esta semana duas escolas e um ônibus escolar foram assaltados por meliantes armados. Os fatos foram comunicados ao Ministério Público Estadual e ao Sindicato dos Trabalhadores em Educação Básica do Estado de Sergipe (Sintese).


