Bebê vítima de incêndio pode ter sido morto pela própria mãe

A Polícia Civil em Riachão do Dantas (Centro-Sul) confirmou ontem que investiga a suspeita de que houve crime no caso do bebê de oito meses encontrado morto e carbonizado no próprio berço, depois que a casa onde estava sofreu um incêndio na tarde desta quinta-feira, no povoado Bitis, área rural do município. A principal hipótese é a de que a menina pode ter sido enforcada ou asfixiada pela própria mãe, que teria colocado fogo no quarto da criança. A suspeita nega o crime, mas, segundo a polícia, já foi condenada na Justiça por ter matado outros dois filhos.
Segundo o agente de polícia Luís Eduardo, da delegacia local, a mulher prestou o depoimento logo após o corpo ser descoberto e foi liberada de imediato, pois não havia provas que justificassem uma prisão em flagrante. "Ela relatou que saiu com a outra filha de cinco anos para fazer uma faxina em uma casa de farinha próxima, e ao retornar, viu a casa em chamas, entrou e achou o berço do bebê queimado com a criança. Segundo ela, não tinha arrombamento nenhum, mas ela acha que alguém entrou na casa e tocou fogo", disse ele, em entrevista à rádio 930 AM.
O policial afirma que a suspeita recaiu sobre a mãe da menina depois que os antecedentes dela foram checados. "Conversando com ela, tivemos a informação de que ela praticou esse crime em 1999. Ela disse que foi uma amiga que estava na casa e que ela pegou o primeiro filho dela, de um ano e pouco, e afogou-o num tanque, e depois pegou outra menina e jogou água quente. No processo, a mãe foi condenada e cumpriu uns 10 anos e pouco de pena. Tem sete anos que ela saiu da cadeia, constituiu outra família e teve essas duas crianças. Temos de 80 a 90% [de certeza] de que ela cometeu esse crime de novo. O terceiro filho, é muita coincidência, né?", afirmou Eduardo.
O agente relatou que esteve na casa onde aconteceu o incêndio e descreveu detalhes que reforçam ainda mais as suspeitas sobre a mãe. "No local, estava tudo claro, porque eram 11 da manhã, e não tem energia elétrica na casa. Não tem nenhum vestígio de que outra pessoa tenha entrado na casa. Só tocaram fogo no berço onde estava a criança e o guarda-roupa do marido dela, que trabalha em fazenda e só vem pra casa no fim de semana, continuava fechado, sem ninguém mexer nada. A criança também foi encontrada no berço com os braços abertos, e se fosse [atingida com] fogo, o corpo estaria encolhido", detalhou Luís.
Agora, a polícia vai tentar ouvir a irmã mais velha do bebê, que tem cinco anos. O depoimento terá a ajuda de um psicólogo e integrantes do Conselho Tutelar de Riachão. O delegado da cidade, Júlio Figueiredo, pediu aos institutos Médico Legal (IML) e de Criminalística que realizassem perícias no cadáver e na casa, a fim de confirmar ou não tais suspeitas. (Gabriel Damásio)

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