Com a chegada da alta estação nas praias de Sergipe, o comando do Corpo de Bombeiros Militar (CBM) tem intensificado as ações de vigilância nas áreas mais movimentadas por sergipanos e turistas. Diante da forte onda de calor que predomina na região Nordeste, milhares de pessoas buscam estas áreas de lazer para se banhar e minimizar um pouco a sensação térmica que nesta época do ano costuma passar dos 32 graus. A meta da corporação é garantir a segurança de todos e evitar quaisquer ações que possam resultar em afogamentos, por exemplo. Para isso, equipes de salva vidas estão posicionadas estrategicamente em todo o litoral sergipano averiguando os movimentos dos banhistas e repassando orientações de como evitar sinistros.
Conforme destacado pelo CBM, durante a estação mais quente do ano valões itinerantes costumam surgir diariamente em vários pontos e surpreender até surfistas experientes e acostumados com a maré local. Na tentativa de garantir segurança enquanto milhares de pessoas buscam o mar como forma de lazer, em Aracaju agentes vistoriam logo no início de cada manhã os locais onde permitem maior vulnerabilidade de afogamentos. Quando os valões são identificados, placas indicando perigo são fixadas e removidas apenas no final da tarde.
De acordo com o 1º Sargento do CB, Nilton Cézar do Nascimento, para obter sucesso na operação é preciso que a população também colabore com a atuação do Corpo de Bombeiros. "Todas as manhãs essas vistorias são feitas pensando sempre no bem estar de todos. Nosso cuidado é com todos, mas a atenção redobra para as crianças e banhistas que se arriscam ao adentrar muito no mar. Estamos de plantão e sempre dispostos a ajudar, mas esperamos que este verão seja mais uma vez marcado pelo respeito dos banhistas aos limites que a natureza impõe", disse.
Apesar do apelo por cuidado redobrado, a autoconfiança em dominar as situações de risco muitas vezes acaba resultando em tragédias. Na quinta-feira, 18,o jovem Rafael Marinho, de 19 anos, morreu afogado quando tentava atravessar o Rio Poxim, no bairro Farolândia. Informações apresentadas pela família indicam que a vítima se banhava com mais três amigos quando decidiu atravessar o rio a nado.
Ainda de acordo com os familiares, Rafael Marinho era acostumado a nadar, já que residia há anos perto das margens do rio. Minutos antes da fatalidade a vítima foi para maré e ficou nadando com os colegas, mas se descuidou e veio a acontecer o afogamento. Equipes do Corpo de Bombeiros ainda foram acionadas, mas não chegaram a tempo de socorrê-lo. De acordo com o departamento de relações públicas do CBM, as buscas não foram iniciadas imediatamente por conta das condições do momento do registro da ocorrência. Por volta das 17h, quando o sinistro foi comunicado ao Ciosp, a maré era alta e poderia causar risco também para a vida dos agentes.
Ao Jornal do Dia o sargento Nilton destacou que na maioria dos casos envolvendo afogamentos o principal público é formado por adolescente. "Percebemos que, por mais insanas que sejam, as crianças não costumam ir muito para o fundo, porque têm medo. As estatísticas mostram que raramente tem afogamento de crianças aqui nas nossas praias. Por outro lado os adolescentes são mais curiosos, mais teimosos e de autoconfiança elevadíssima. Sempre advertimos aqueles que insistem em buscar cada vez mais a profundidade do mar, mas as vezes acabam caindo nesses valões e precisamos agir de forma eficaz e emergencial", destacou.
Neste Verão que começa oficialmente hoje e segue até o dia 20 de março, um grupo de aproximadamente 40 profissionais do Corpo de Bombeiros trabalha na tentativa de evitar outras fatalidades nos rios e mar sergipanos. A operacionalidade da corporação conta ainda com três quadriciclos, uma lancha, dois botes, três motos aquáticas e o apoio integral de dois helicópteros do Grupamento Tático Aéreo (GTA).


