Uma festa para não ser esquecida
Música e temas ambientais exaltaram diversidade do Brasil na abertura dos Jogos Rio-2016
Ao som de "Aquele Abraço", o clássico de Gilberto Gil, que é uma declaração de amor ao Rio de Janeiro, a cerimônia de abertura das Olimpíadas começou nesta sexta-feira, no Maracanã, dando início oficialmente à 31ª edição das Olimpíadas da era moderna, as primeiras da América do sul.
O espetáculo, que exalta natureza e a diversidade do Brasil, ocorreu diante de um público de mais de 70 mil pessoas, que lotou o templo do futebol e cerca de três bilhões de telespectadores, que acompanharam o show pela TV, em todo o mundo.
As competições já começaram na quarta-feira, com o futebol feminino, mas as primeiras disputas de medalha tiveram início apenas a partir deste sábado e seguem até o dia 21 de agosto, data da cerimônia de encerramento.
Abertura – Antes de se enfrentar nas suas modalidades, porém, os atletas estavam unidos, para comemorar o espírito de paz e união dos Jogos, como lembrou o secretário-geral da ONU, Ban-Ki-Moon, que apareceu no telão pouco antes da contagem regressiva para o início da festa, lançando um apelo para respeitar a "trégua olímpica", como nos tempos da antiguidade.
Com o Brasil vivendo um momento político e econômico conturbado, o presidente interino Michel Temer, foi alvo de protestos, reunindo milhares de manifestantes na cidade.
Temer estava acompanhado na tribuna de honra, por apenas 37 representantes estrangeiros, a metade de Pequim-2008 e Londres-2012, entre eles o secretário de Estado americano, John Kerry e os presidentes da França e da Argentina, François Hollande e Mauricio Macri, respectivamente.
Embora o contexto não seja dos mais favoráveis, foi uma grande oportunidade de mostrar ao mundo, a imagem de um Brasil vibrante, em toda sua diversidade.
Foi seguindo essa linha, que o espetáculo começou com a interpretação emocionante do hino nacional por Paulinho da Viola.
Durante o hino, estavam presentes no lado oposto do gramado, 60 atletas que entraram carregando bandeiras do Brasil, entre eles vários medalhistas olímpicos, como o ex-velocista Robson Caetano, as lendas do vôlei Tande e Giovane e a saltadora em distância Maurren Maggi, primeira mulher a ganhar uma medalha de ouro em uma prova individual, em Pequim-2008.
Gisele incendeia o público – Os criadores avisaram que a intenção era "trocar o High Tech, a dependência por grandes efeitos pirotécnicos e mecatrônicos pela inventividade analógica, abusando do espirito "low Tech". Até o público participou da ‘coreografia’, usando justamente as novas tecnologias, ao ligar os celulares para enfeitar as arquibancadas.
No gramado, a ideia era apostar em projeções. A primeira foi de tirar fôlego. Com efeito, 3D, mostrou a imensidão verde da selva amazônica. Como aconteceu há quatro anos, em Londres-2012, seguiram-se uma série de quadros, que apresentaram a história do país, começando com os indígenas, representados por 72 dançarinos vindos de Parintins, no Amazonas.
Outra projeção 3D mostrou as caravelas, marcando a chegada dos europeus e dos africanos, sem deixar de lembrar as cicatrizes ainda vivas do passado de escravidão.
O espetáculo colorido também veio como um apelo para preservar o planeta. A era moderna foi representada pela construção de arranha-céus, ao som de "Construção", de Chico Buarque, e a entrada no estádio do avião 14 Bis, de Santos Dumont.
O palco estava montado para um dos momentos mais aguardados da noite, o desfile da supermodelo Gisele Bundchen, enquanto o público batia palmas no ritmo da "Garota de Ipanema", de Vinícius de Moraes e Tom Jobim, cuja imagem era projeta ao fundo.
Duetos inspirados – Foi apenas um aperitivo para a grande festa, exaltando a diversidade do Brasil. Uma mistura de ritmos, a começar por um dos primeiros grandes sucessos do funk carioca, o "Rap da Felicidade", interpretado por Ludmila. O primeiro grande momento de emoção foi ver a diva Elza Soares, ainda no ritmo do funk, emendando com "Canto de Ossanha", clássico da Bossa de Vinícius de Moraes.
Sozinha no palco, sentada em uma poltrona, sua voz rouca deixou todo o público arrepiado, como há mais de 40 anos os dribles do grande amor da sua vida, o eterno craque Garrincha, que brilhou tantas vezes no Maracanã.
A mistura de ritmos continuou com "Deixa a vida me levar", cantada em dueto pelo sambista Zeca Pagodinho e o rapper Marcelo D2. O movimento Hip Hop, de D2, muitas vezes criticado por ter letras consideradas machistas, entrou na contramão dos clichês, com o empoderamento feminino, representado por Karol Conca e a pequena MC Soffia, de apenas 12 anos.
Ao final das apresentações musicais, só restou pular e dançar ao som de "País Tropical", do Mestre Jorge Ben Jor. Nada melhor que uma grande festa, para dar início ao desfile das 207 delegações, começando pela Grécia, berço do Olimpismo.
O esperado desfile também teve um apelo ambiental. Cada atleta recebeu uma semente e um tubete com substrato para semear uma árvore nativa do Brasil, para colocá-lo em torres espalhadas pelo palco.


