Saúde volta a parar na segunda

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Sem receber o salário de julho, centenas de servidores da Saúde em Aracaju irão suspender até 70% dos exames e consultas disponíveis em 85 postos de saúde da Prefeitura de Aracaju, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (SMS). Essa será a quinta paralisação promovida por dez categorias apenas neste ano de 2016. Além do recorrente atraso salarial, médicos, nutricionistas, enfermeiros, psicólogos e agentes de combate a endemias, por exemplo, denunciam precariedade das estruturas físicas, não pagamento das horas extras e contratações de terceirizados para tentar realizar os serviços durante os movimentos grevistas.

Conforme a assessoria da SMS, para cada dia de interrupção dos atendimentos, cerca de cinco mil pacientes deixam de ser consultados. A crise no âmbito da saúde de Aracaju é tão intensa, e ao mesmo tempo preocupante, que mais uma vez tende a interferir diretamente no desenvolvimento das ações assistenciais em unidades hospitalares do Estado. Com a nova greve já aprovada em assembleia por tempo indeterminado, a perspectiva é de crescimento nas demandas do Hospital de Urgência de Sergipe (Huse).

A comissão dos sindicatos informou que já a partir das 7 horas da próxima segunda-feira, 08, apenas as unidades Fernando Franco – zona Sul, e Nestor Piva – na zona Norte, permanecerão com o andamento normalizado das funções. O prefeito João Alves Filho desde que retornou de Brasília, na tarde da última quinta-feira, 04, não se pronunciou sobre o assunto. Falha no cumprimento da folha salarial de um lado, e revolta carregada de críticas ferrenhas do outro.

Sem previsão de pagamento, os trabalhadores lutam para não repetir em julho/agosto o mesmo problema vivenciado em janeiro deste ano quando o salário referente ao mês de dezembro de 2015 apenas foi pago no dia 21 de janeiro. Ou seja, exatos 11 dias de atraso. Na avaliação feita pelo Sindicato dos Trabalhadores na Área da Saúde do Estado de Sergipe (Sintasa), é inadmissível que a Prefeitura de Aracaju volte a provocar danos às famílias de cada funcionário, mesmo depois da greve que durou 45 dias nos últimos mês de junho e julho.

"Depois de 45 dias de greve, e um acordo que não contemplou o mínimo para a categoria, mesmo assim o prefeito não cumpriu com a palavra. E sabemos que a Prefeitura tem dinheiro em caixa, basta querer pagar aos trabalhadores", declarou o presidente do Sintasa, Augusto Couto. Além dos atrasos salariais e demora na aprovação do reajuste de 4,42%, a classe trabalhadora destaca ainda que o serviço da saúde municipal é o último a obter os direitos trabalhistas. As categorias seguem com o pleito reivindicatório e denunciam o não pagamento do 13º salário e o 1/3 de férias dos servidores que entraram em férias.
A integração entre as categorias também tem sido um desejo dos enfermeiros. De acordo com a servidora Adriana Gomes, apenas com o fortalecimento dos profissionais da saúde as reivindicações tendem a ser conquistadas. "Vamos continuar juntos lutando por nossos direitos e para garantir melhor assistência para os pacientes que também sofrem com o descaso público na capital".

Compartilhe esta notícia