Briga com tiros em festa deixa 8 feridos em show na ‘Baixa da Cachorrinha’

Gabriel Damásio

 

Uma rivalidade entre gangues é a principal hipótese da polícia para o motivo da briga que interrompeu os shows do ‘Arraiádo 18’, ocorrido durante este final de semana na ‘Baixa da Cachorrinha’, entre os bairros Cidade Nova e 18 do Forte (zona norte de Aracaju). A confusão aconteceu por volta das 3h30 deste domingo, quando dezenas de pessoas se agrediram no meio da multidão que estava dentro da área cercada da festa. Testemunhas confirmaram à polícia e a jornalistas que cerca de 15 tiros de pistola foram disparados em meio ao tumulto criado.As informações sobre vítimas são desencontradas.

Policiais militares que atenderam a ocorrência disseram que oito pessoas saíram feridas, incluindo um rapaz de 21 anos que foi baleado na cabeça e está internado em estado grave na ala vermelha do Hospital de Urgência de Sergipe (Huse). Já a Secretaria Estadual deSaúde (SES), em nota, confirmou apenas quatro socorridos sem gravidade pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu): um homem de 34 anos baleado no braço direito, uma mulher com o nariz quebrado, outra que foi encontrada desmaiada e se queixando de dores, e uma jovem de 29 anos e grávida de seis meses, que sofria dores fortes no abdômen e foi internada na Maternidade Nossa Senhora de Lourdes (MNSL). Os outros pacientes foram levados ao Huse.

A briga foi registrada por outras pessoas que estavam no ‘Arraiá’ e gravaram tudo com telefones celulares. Um dos vídeos mostra um momento em que um grupo de jovens avança contra outros que estavam encostados em barracas de bebidas instaladas no palco. Eles trocam socos e atiram vários objetos uns contra os outros, provocando uma grande correria. O tumulto se deu no intervalo entre os shows da cantora Márcia Felipe e da banda Calcinha Preta, que atrasou o início da apresentação e chegou a pedir calma ao público.

Segundo o coronel Paulo César Paiva, chefe de relações públicas da Polícia Militar, a área do evento na ‘Baixa da Cachorrinha’ estava fechada com barreiras de revistas com segurança particular, mas abrangeu uma área residencial. “Diferente do que acontece em áreas abertas, que precisam ser cercadas com placas metálicas, é um trecho de rua, onde há um largo que é isolado para a realização do evento. Porém, neste trecho onde o evento acontece, existem inúmeras residências e obviamente elas têm acesso direto ao local da festa, sem a passagem pela revista. Então, nós imaginamos que isso pode ter facilitado que pessoas tivessem acesso a essa arma de fogo com a qual se deu essa ocorrência tão grave”, suspeita Paiva.

A PM informou também que cerca de 30 soldados de várias unidades se revezaram no policiamento fora da área cercada da festa. Em uma das abordagens, policiais do Grupamento Especial Tático de Motos (Getam) prenderam em flagrante um homem que chegava de carro ao ‘Arraiá’ e estava armado com um revólver calibre 38.

“A Polícia Militar, ao tomar conhecimento do incidente, entrou no local da festa para fazer uma varredura e tentar prender imediatamente o autor dos disparos, mas infelizmente não foi possível acontecer”, explica o coronel, acrescentando que muitos moradores da rua, ao serem questionados, não colaboraram com os policiais. “A gente notou uma ‘lei do silêncio’. As pessoas nada viram, não querem se manifestar… dando a entender que obviamente as pessoas responsáveis são conhecidas na localidade”, disse. O caso deve ser investigado pela 3ª Delegacia Metropolitana (3ª DM), que responde pelos bairros da zona norte da capital.

Os organizadores do ‘Arraiádo 18’, ligados ao deputado federal Fábio Mitidieri (PSD), informaram que toda a área dos shows foi cercada e uma equipe de segurança particular foi contratada para fazer a segurança dentro do evento, realizando inclusive revistas nos três portais de entrada do local. Garantiram ainda que tudo foi autorizado pela PM e por outras autoridades responsáveis pela fiscalização dos eventos. Esta foi a nona edição do ‘Arraiá’, que reuniu mais de 20 mil pessoas, segundo a organização, e sendo inclusive prestigiado pelo vice-governador Belivaldo Chagas (PMDB) e pelo prefeito de Aracaju Edvaldo Nogueira (PC do B), entre outros políticos.

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