Gabriel Damásio
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Uma violenta briga entre presos aconteceu ontem à tarde no Complexo Penitenciário Antônio Jacinto Filho (Compajaf), no bairro Santa Maria (zona sul de Aracaju). Segundo as primeiras informações, confirmadas pelo Sindicato dos Agentes Penitenciários (Sindipen), mais de 30 presos dos pavilhões A e C entraram em confronto por volta das 16h30, durante o banho de sol, e estavam armados com chuços e facas. A briga durou cerca de 15 minutos e foi controlada com a ajuda de agentes de disciplina do Compajaf e agentes prisionais lotados na Cadeia Pública de Nossa Senhora do Socorro (Cadeião de Socorro), que estavam na unidade para escoltar a transferência de mais dois presos.
Ainda de acordo com o Sindipen, cerca de 20 detentos ficaram feridos com cortes pelo corpo e foram atendidos na enfermaria do presídio. O preso Alan dos Santos, 31 anos, sofreu ferimentos mais profundos e precisou ser transferido para o Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), onde foi medicado. No começo da noite, ele recebeu alta e foi mandado de volta para o Compajaf. Alan cumpre pena de prisão pelo envolvimento no assassinato da fisioterapeuta Damiana Coroado Mendonça, morta em uma tentativa de assalto ocorrida no bairro Salgado Filho (zona sul), em 26 de maio de 2012.
Os outros envolvidos foram colocados de volta nas celas ou mandados para as ‘trancas’, celas onde os presos de mau comportamento ficam isolados. Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), não houve necessidade de convocar a Polícia Militar, porque a situação foi controlada pelos próprios agentes de disciplina do Compajaf. Segundo informações, os presos que brigaram seriam integrantes de facções rivais que disputam o poder dentro do presídio. O diretor do Sindipen, Luciano Nery, disse em entrevista à Ilha FM que a ação dos agentes do Cadeião também ajudou a evitar uma fuga em massa que chegou a ser tentada pelos detentos envolvidos no confronto.
Ele aproveitou o momento para questionar a eficiência da segurança do complexo, que é administrado pela empresa baiana Reviver. "Sabemos que a segurança ficou fragilizada, mas estamos sem saber como essa briga de presos aconteceu em uma unidade que tem mais de 80 câmeras e três centrais de monitoramento. Num momento em que o governo faz tanta propaganda alegando a eficiência da terceirização provada, e quer fazer isso em todos os presídios, isso precisa ser questionado", argumentou Nery. A Reviver e a Secretaria Estadual de Justiça (Sejuc) não se manifestaram até a noite de ontem.
Mais incidentes – A briga no Compajaf aconteceu depois de dois incidentes registrados em menos de 24 horas no Complexo Penitenciário Manoel Carvalho Neto, em São Cristóvão (Grande Aracaju). Ao fim da tarde de domingo, durante uma revista de rotina nas celas do Pavilhão 3, os agentes da unidade apreenderam 35 chuços, duas facas de médio porte e um telefone celular, que estavam escondidas em camas, paredes e objetos. De acordo com os agentes, os chuços são improvisados pelos próprios detentos.
"Uma parte destas facas artesanais, eles fazem dentro da unidade. Os presos quebram o concreto, arrancam as barras de ferro que sustentam o concreto e fazem as facas. Mas dessa revista, também foram achadas facas industriais, de 15 polegadas. E essas facas, junto com os celulares, a sociedade sabe que quase todos esses objetos são arremessados por cima dos alambrados e dos muros dos pavilhões", denuncia o diretor intersindical do Sindipen, Sérgio Henrique, apontando as falhas de estrutura e segurança existentes do Copemcan.
O segundo incidente aconteceu às 10h de ontem, quando o detento Mizael Bispo Fontes era transferido do Pavilhão 5 para o Pavilhão 1, escoltado por dois agentes. O preso agrediu um dos agentes e correu para tentar pular o alambrado, mas o outro agente estava armado e disparou tiros de bala de borracha, obrigando Mizael a se render. De acordo com Sérgio, a transferência tinha sido autorizada pela direção do presídio, mas não havia algemas para fazer a condução do detento. Após o incidente, ele voltou para o regime disciplinar.

