Gabriel Damásio
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Os policiais sergipanos voltaram a ser surpreendidos por mais uma morte violenta sofrida pela categoria. No começo da noite de sábado, o cabo Arnaldo de Mendonça Morais, 42, lotado no 8º Batalhão de Polícia Militar (8º BPM), foi baleado nas costas durante uma tentativa de assalto ocorrida no bairro Coqueiral (zona norte de Aracaju). Segundo as primeiras investigações, o crime foi cometido por um homem que ainda roubou a pistola calibre ponto 40 usada pela vítima. Arnaldo chegou a ser socorrido por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e internado no Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), mas não resistiu a uma hemorragia interna e morreu durante uma cirurgia.
O caso começou a ser investigado ontem pela 3ª Delegacia Metropolitana (3ª DM), cujo delegado Marcelo Cardoso já ouviu uma testemunha ligada à família – e pretende ouvir outras ao longo da semana. A Polícia Civil garante que está trabalhando com força neste caso, mas guarda sigilo sobre o andamento da apuração. Segundo o delegado-geral Everton Santos, nomes de alguns ex-presidiários chegaram a ser citados, mas a participação deles ainda não está formalmente confirmada. "No momento da morte, saíram notícias nas redes sociais, não sei se verdadeiras ou não. Surgiram alguns nomes de pessoas que nós já prendemos na época em que eu estava no Cope, outras quando eu estava na Homicídios. Vamos buscar e confrontar essas informações, vamos ouvir todo mundo, requer algumas medidas cautelares e, com certeza, iremos desvendar tudo com facilidade", disse Everton.
A PM apurou que, por volta das 18h, o cabo Arnaldo estava de folga e pretendia jantar com os pais naquela noite. Acompanhado por um amigo, ele chegava a um mercadinho perto da casa da família. Foi o instante em que o criminoso chegou à pé e já abordou o militar, exigindo que ele entregasse a arma. Uma cápsula de pistola calibre 380 foi encontrada junto ao policial, indicando que esta era a arma usada pelo criminoso.
Segundo o relato do cabo Amintas Oliveira, um dos primeiros PMs ao chegar no local do crime, a vítima não chegou a reagir à abordagem, mas foi logo atingida pelo disparo. "O bandido não deu nenhuma chance de defesa ao Arnaldo. Eu cheguei a conversar com ele, normalmente, e ele me disse que estava bem, que estava tranquilo, mas não teve condições de ver quem o atingiu", afirmou o colega, que acionou o socorro e se disse surpreso com o desfecho. "Todo mundo acreditava que ele realmente iria sair dessa, ninguém esperava que ele morresse", lamentou Amintas, ao definir os últimos dias como "muito tristes" para a corporação. Arnaldo Morais tinha 17 anos de carreira na PM, era casado e pai de três filhas.
O corpo foi velado durante todo o domingo e enterrado ao fim da tarde no Cemitério São João Batista, no Castelo Branco (zona oeste). Os funerais, realizados com honras militares, foram acompanhados diretamente pelo secretário da Segurança Pública, Mendonça Prado, o qual prestou solidariedade à família de Arnaldo, mas não escapou dos protestos de parentes e amigos, os quais fizeram críticas à falta de ação e de apoio do governo, da Justiça e das organizações de defesa dos direitos humanos. "Nós lamentamos profundamente e vamos trabalhar para aperfeiçoar mais o sistema de segurança e permitir que nenhum cidadão sergipano esteja vulnerável. É preciso repensar o sistema, ver de que maneira há possibilidade de dar maior proteção ao policial", admite Mendonça.
Outros casos – Na segunda-feira passada, a polícia sofreu um baque ainda mais forte, com o assassinato do servidor público Luiz Carlos dos Santos, 49, que trabalhava há seis anos na Polícia Civil e levou dois tiros dentro da Delegacia Regional de Itabaiana (Agreste), onde atuava como atendente. O crime aconteceu no começo da manhã e foi cometido pelo ex-presidiário Márcio Santos Modesto, 27, o "Márcio Botafogo", que foi perseguido após o crime e morreu minutos depois, ao ser cercado pela polícia na BR-235. Luiz Carlos foi atingido enquanto ainda estava sentado e, segundo familiares, também não teve nenhuma chance de defesa. Segundo a Polícia Civil, "Botafogo’ era investigado por participar de uma quadrilha de assaltantes que agia em várias cidades do interior, sobretudo Estância e Itabaiana. Todos os outros integrantes do grupo já estão presos.
O terceiro crime que atingiu a polícia neste ano também teve um policial como vítima: o sargento Manoel André do Nascimento Neto, 51, morto com três tiros, depois de reagir a um assalto contra um posto de combustíveis da rede Petrox na Praia do Jatobá, na Barra dos Coqueiros (Grande Aracaju). O crime aconteceu em 21 de fevereiro e causou bastante comoção entre os colegas de farda. Quase dois meses depois, a 11ª DM prendeu três acusados de envolvimento com o assalto e identificou outros dois, sendo um deles adolescente, que estão ainda foragidos. O crime foi enquadradto também como latrocínio, pois segundo a polícia, a pistola de André foi roubada e vendida por um dos acusados, que usou o dinheiro para pagar dívidas com um traficante.


