Caixão ficou exposto na Praça Fausto Cardoso

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Moradores de diversos municípios sergipanos voltaram a se reunir ontem em frente ao Palácio Olímpio Campos, Centro de Aracaju, a fim de prestar as últimas homenagens ao governador Marcelo Déda. Em meio aos familiares, grupos folclóricos de Simão Dias e um trio pé-de-serra, o corpo do governador por mais de duas horas ficou posicionado na calçada da Praça Fausto Cardoso para que uma nova fila de populares fosse organizada e passasse a poucos metros da urna fúnebre. Pela primeira vez mostrando disposição para conversar com a imprensa, Eliane Aquino, esposa de Déda, falou sobre a vontade do petista em ser visto pelo povo sergipano.

Segundo a viúva, todo o procedimento desenvolvido pelo cerimonial do governo foi feito conforme a vontade de Déda. "Certa vez ele estava calado e olhando pra cima, perguntei a ele o que ocorria e ele me disse: ‘estou pensando no meu velório. Quero que meu corpo desfile em carro aberto e que meu povo possa me ver’. Realizamos o último sonho dele", declarou. Questionada sobre a presença de músicos e grupos folclóricos se apresentando durante os últimos minutos do velório, Eliane suspirou e citou a solenidade fúnebre de um outro ícone da história sergipana, o jornalista Cleomar Brandi que mereceu uma despedida memorável em julho de 2011.
"Ele amou a música regional e as mais diversas manifestações folclóricas, então ele chegou a citar o velório de Cleomar e disse ter sido um dos momentos mais marcantes da história. Tenho certeza que nesse momento ele está aqui, no meio de nós, nos ouvindo, dançando e sorrindo, do mesmo jeitinho que ele era, fosse no palácio ou dentro de casa com a família", pontuou.

Por aproximadamente 24h, a praça Fausto Cardoso, memorável pelas grandes manifestações públicas da democracia brasileira, recebeu milhares de pessoas, inclusive militantes que ajudaram com Déda a fundar o Partido dos Trabalhadores em 1980. Para o deputado federal Rogério Carvalho, presidente estadual da sigla, Déda partiu novo para brilhar em outros horizontes.
"Sem dúvidas ele foi a estrela mais brilhante do PT em Sergipe ao longo desses 33 anos. Líder igual a ele ainda é desconhecido, uma criança, ou ainda sequer nasceu. Ele se foi, nos deixa aqui com o coração apertado e morrendo de saudades, mas temos certeza que ele descansa e está em um novo reduto de paz e fraternidade", declarou.

Já no início da tarde, diante da presença da população, uma missa foi celebrada pelo arcebispo de Aracaju, dom José Palmeira Lessa. "Homem cristão e que sempre se mostrou interessado em ajudar na reforma da nossa catedral metropolitana. Ele infelizmente nos deixou, mas antes disso atendeu ao nosso pedido e agradou a centenas de fiéis", afirmou.

Após receber honras militares, o corpo do governador voltou a desfilar em um caminhão do Corpo de Bombeiros pelas avenidas Ivo do Prado e Beira Mar com destino ao Aeroporto de Aracaju. Por volta das 16h10 uma aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB) decolou sentido a capital baiana, Salvador, onde o corpo de Marcelo Déda foi cremado. Segundo desejo do próprio Déda, parte das cinzas devem ser lançada diante de um pé de caju plantado com o herdeiro caçula, Mateus Déda.

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