Milton Alves Júnior
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Vendedores ambulantes e gestores da Prefeitura de Aracaju continuam travando conflitos sobre a retirada dos trabalhadores que atuam em ruas e avenidas do Centro da cidade há mais de 15 anos. Na semana passada a administração municipal concluiu o serviço de reforma em um galpão instalado nas dependências do Mercado Albano Franco, onde 114 barracas deveriam começar a ser erguidas no início desta semana.
Claramente insatisfeito com a iniciativa municipal, o vendedor de bonés e adereços para calçados, Valmir Aragão dos Santos, declara arrependimento por apostar na mudança que o atual grupo administrativo prometeu para a população durante as eleições de 2012. Para ele, é perceptível que os aracajuanos reprovam as possíveis ações que o prefeito João Alves vem adotando contra os trabalhadores. "Não podemos aceitar que nosso suor de vários anos aqui nessa área seja assim jogado no lixo. O pior de tudo é que o pessoal da prefeitura não se importa nem em vir aqui no Centro e conversar sobre as melhorias para nós. Está claro que não apoiamos essa mudança porque nossas vendas vão cair mais da metade e vamos passar fome", afirmou.
Em contraponto, a Prefeitura de Aracaju garante que, com o respeito à determinação judicial, todos devem sair dos atuais ambientes já que melhorias instantâneas serão vivenciadas por todos. Esse avanço seria possível em decorrência da nova área comercial oferecer mais conforto e menos transtornos aos vendedores, turistas e clientes. Pela direção da Emsurb foi dito ainda que o lugar recebeu divisões em vários espaços de venda e funcionará das 8h às 17h30. Apesar de a ação ter sido ajuizada pela prefeitura, todo o processo de mudança foi possível após reivindicações da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) e da Associação Comercial e Empresarial de Sergipe (Acese) que acham necessárias as alterações no Plano de Revitalização do Centro.
Antônio Marcos, presidente da Associação dos Ambulantes de Aracaju, protestou contra o novo espaço. "Será mesmo que a prefeitura iria ter a capacidade de ser tão ética ao ponto de reconhecer que as vendas ali vão diminuir e causar prejuízos para todos os vendedores? Chega ser preocupante o futuro de todos esses trabalhadores que precisam de grande movimento de clientes para garantir o pão de cada dia. Estamos insatisfeitos sim com essa medida do prefeito e vamos continuar aqui nesses espaços porque aqui é o melhor espaço para nós vendedores e para os clientes", declarou o presidente. Segundo cálculos da associação, atualmente cerca de 300 a 500 ambulantes permanecem trabalhando de segunda a domingo na região do Centro de Aracaju.
Este pedido de mudança, segundo gestores da prefeitura, foi adotado primeiramente por empresários que estariam insatisfeitos com a permanência dos ambulantes nas calçadas. "Não sei até que ponto essa notícia é verdadeira. No meu ponto de vista não passa de mais um boato porque muitos empresários conversam com a gente e se dizem tranquilos quanto a este problema que a prefeitura e a Emsurb dizem enfrentar. Podem conversar com outros ambulantes aqui e vocês do Jornal do Dia vão perceber que essa alteração ai é rejeitada por pelo menos 95% dos nossos colegas de trabalho. Infelizmente a direção da Emsurb não observa isso", pontuou o presidente.
As críticas dos vendedores foram minimizadas pela gestão municipal. Para o presidente da Emsurb, Edson Leal, é preciso destacar que há mais de um ano a mudança vem sendo planejada com o intuito de resultar em avanços econômicos para os vendedores, e não retrocesso.


