Gabriel Damásio
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Mais um motociclista morreu em acidentes envolvendo veículos pesados, no terceiro acidente do tipo ocorrido em Aracaju nos últimos 30 dias. Desta vez, a vítima foi o vendedor José Aragão Araújo, 30 anos, atropelado por volta das 8h30 de ontem na esquina da Avenida Tancredo Neves com a Rua Monsenhor Olívio Teixeira, no Inácio Barbosa (zona sul). A moto que ele conduzia, uma Honda Titan CG 150, foi atingida por um caminhão do tipo ‘guindauto’, também conhecido como ‘munck’ e usado para movimentar cargas pesadas em construções.
Testemunhas informaram que os veículos seguiam juntos pela Tancredo e tentaram fazer a curva para entrar na Olívio Teixeira, quando a moto teria entrado no chamado ‘ponto cego’ do caminhão, isto é a parte traseira que não é visualizada pelo retrovisor do motorista. O ‘guindauto’ acabou derrubando a moto e passando por cima de Aragão, que teve seu corpo praticamente esmagado pelo peso do veículo. Uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) chegou a ser chamada, mas o motociclista já estava morto.
Uma das faixas da Tancredo Neves ficou isolada por quase uma hora por soldados da Companhia de Polícia de Trânsito (CPTran) e agentes da Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (SMTT). Enquanto isso, colegas de trabalho e muitos motoboys estiveram no local do acidente, acompanhando o trabalho da polícia. Um deles, Erlândio da Silva, reconheceu Aragão e disse que o colega era muito cuidadoso no trânsito. "Ele não é imprudente. É um motoqueiro que não avança sinal, não sobe em canteiro… isso aí foi um acidente mesmo. Acho que o caminhoneiro não viu e nem percebeu quando ele entrou", lamentou.
Alguns motoristas que seguiam atrás do caminhão viram o momento do acidente e ficaram chocados com a morte do vendedor. Ele estava a caminho de uma distribuidora de alimentos, onde trabalhava e foi recentemente promovido. Um supervisor da empresa esteve no local do acidente e chorou muito ao reconhecer a moto e o corpo de Aragão. Antes de o cadáver ser recolhido pelo Instituto Médico-Legal (IML), os policiais da CPTran e peritos do Instituto de Criminalística analisaram o local.
A suspeita das autoridades é de que um dos veículos teria tentado uma ultrapassagem, mas o motoboy não acredita nesta hipótese e relata que há sempre uma desvantagem das motos em relação a ônibus e caminhões. "O caminhão é muito grande e quando ele fecha [a curva] assim, não dá pra ver. Dependendo do local onde o motoboy está, se estiver próximo à porta, não dá pra ver no retrovisor. As vezes, você vai na via principal ou dá a preferencial, o cara entra [na faixa] e pega a gente. Tem como sair? Não tem. Aí, só Jesus", explica Erlândio.
O caminhão ‘guindauto’, que estava a serviço de uma construtora, foi abandonado na Rua Olívio Teixeira e seu motorista não foi encontrado no local. Segundo a CPTran, ele fugiu após o acidente, com medo de ser agredido pelas testemunhas. O veículo foi apreendido e levado para o pátio do Departamento Estadual de Trânsito (Detran). O caso foi registrado na Delegacia Especial de Delitos de Trânsito (DEDT).
Outros acidentes – O outro acidente fatal aconteceu em 11 de fevereiro, na esquina da Rua Dom Quirino com a Avenida Gentil Tavares, bairro 18 do Forte (zona norte da capital). O motociclista Cleverton Lima de Jesus, 41, foi atropelado por um ônibus de turismo que se preparava para entrar na Dom Quirino e acertou a moto. Cleverton teve a cabeça esmagada por um dos pneus e morreu na hora. Dias depois, o terceiro acidente aconteceu também na Tancredo Neves, em uma das alças de acesso ao Complexo Viário Marcelo Déda. Neste caso, um caminhão de bebidas que fazia a curva passou por cima da moto e destruiu-a totalmente, mas o motoboy escapou por pouco do choque e teve apenas ferimentos leves.
Os dois fatos estão igualmente relacionados aos ‘pontos cegos’ dos ônibus e caminhões. Para o supervisor Haroldo Cardoso, da SMTT, tais acidentes mostram que os motociclistas devem manter distância dos veículos pesados, que possuem, em média, 12,5 metros de comprimento. "O que acontece? O veículo longo, ao fazer a curva, abre para o lado oposto, porque tem uma largura maior que a via local. Os motociclistas, sem perceber, vêm pela direita pra tentar passá-lo. Temos que fazer a direção defensiva, praticá-la no dia-a-dia, e manter a distância de segurança dos veículos longos, por causa dessa manobra", alerta Haroldo, frisando que a prática é ensinada desde as aulas de habilitação dos motoristas.


