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CAMINHOS DA PRODUÇÃO AGRÍCOLA BRASILEIRA (I)


Publicado em 13 de maio de 2023
Por Jornal Do Dia Se


Pedro Abel Vieira & Manoel Moacir Costa Macêdo

O avanço na produção agrícola mundial aconteceu sob variadas circunstâncias históricas. Como inicial referência a década de sessenta, onde o deslocamento da fronteira agrícola foi na ordem de 0,12% ao ano. Nos anos mais recentes, a exemplo do ano 2000 a área agrícola mundial alcançou 4.880.219 mil hectares, revertendo para 4.744.460 mil hectares em 2020.
Além do deslocamento da fronteira agrícola, a receita preconizada pela Revolução Verde contribuiu para o aumento da produção mundial de alimentos. Enquanto a ocupação da terra aumentou 0,12% ao ano entre 1961 a 2020, o uso de fertilizantes químicos variou de 2,5% ao ano para o fósforo e potássio, e até 4% para o nitrogênio – a estratégica composição NPK. Além dos fertilizantes, o uso de defensivos agrícolas aumentou significativamente após 1990, a uma taxa de 1,5% ao ano. As externalidades ambientais, sociais e econômicas não foram registradas. O propósito foi o aumento linear da produção e produtividade das lavouras. Desemprego, alimentação saudável, preservação de biomas e outros condicionantes sociais, ambientais e históricos não constaram na agenda produtivista.
Importante registrar que desde a década de 1960, a produção de alimento per capita global aumentou a taxa média anual de 0,48%. O crescimento foi expressivo em torno de 0,57% ao ano. Como referido, na década de 1960, esse crescimento esteve calcado na expansão da fronteira agrícola, na ordem de 0,24% ao ano. Nas décadas de 1970, a produção agrícola foi de 0,25% ao ano, e nos anos oitenta de 0,14% ao ano. A produção de alimentos per capita aumentou em linha com a expansão da fronteira agrícola em 0,20 e 0,32% ao ano, respectivamente.
Nos anos noventa, o crescimento da oferta de alimentos foi 0,65% per capita ao ano, a despeito da desaceleração na expansão da fronteira agrícola em 0,19% ao ano. No anos 2000, a produção agrícola alcançou o seu maior patamar em 0,88% ao ano, período em que a fronteira agrícola reduziu em -0,14% ao ano. Na década mais recente, apresar de nova redução na área agrícola em -0,16% ao ano, houve um aumento de 0,35% ao ano na produção de alimentos per capita, notadamente na produção global de commodities agrícolas que cresceu a uma taxa média de 1,9% ao ano.
O aumento inicialmente devido ao deslocamento da fronteira foi substituído pela expansão da PTF – Produtividade Total dos Fatores, isto é, as inovações tecnológicas que nas últimas três décadas, foram introduzidas, a exemplo da irrigação e os insumos químicos, biológicos e mecânicos. Uma estratégica substituição da mão-de-obra e da terra, por fatores de produção intensivos em capital. O desemprego foi realçado e a pressão por terra diminuída. Nas décadas anteriores a 1990, a maior parte do crescimento da produção decorreu da intensificação do uso de insumos, porém, desde a década de 1990, o crescimento da PTF, tem sido responsável pela maior parte do aumento na produção agrícola mundial. No período mais recente, de 2011 a 2020, a PTF cresceu a uma taxa anual de 1,2%, respondendo por 58% do crescimento da produção agrícola.
As evidências mostram a produção expressiva de alimento pelos sistemas produtivos agrícolas. A fome e a insegurança alimentar não são causadas por carência de oferta de comida, mas pela incapacidade das populações pobres em comprar alimentos. Reformas estruturais na trajetória da produção ao consumo são requeridas. Produzir com sustentabilidade e de forma integrada entre o meio ambiente, as pessoas e os processos produtivos.

Pedro Abel Vieira & Manoel Moacir Costa Macêdo são engenheiros agrônomos

 

 

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