Em alusão ao Dia Nacional de Enfrentamento à Situação de Rua de Crianças e Adolescentes, grupos ligados aos Direitos Humanos e de defesa ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) realizaram na tarde de ontem um ato público no Centro de Aracaju. Reunidos na Praça General Valadão, os grupos fortaleceram a campanha: ‘Criança não é de rua’ com o propósito principal de chamar a atenção para centenas de meninos e meninas que se encontram em situação vulnerável de rua, muitas vezes ‘invisibilizados’ pela sociedade. A atividade foi prestigiada por crianças e adolescentes que enfrentam essa amarga realidade, profissionais pedagógicos, psicólogos e educadores que, através da arte tentam gerar oportunidades por dias melhores.
De forma simbólica e representativa para os grupos que atuam no Brasil com medidas infanto-juvenil, o 23 de julho marca de forma negativa o aniversário da chacina da Candelária, triste episódio da história do país em que policiais abriram fogo contra cerca de 70 crianças e adolescentes que dormiam no entorno da Igreja da Candelária, no Rio de Janeiro, assassinando seis jovens e dois adolescentes, em 1993. Em Sergipe, apesar de não ter registro oficial de crimes hediondos contra os menores moradores de rua, milhares deles são obrigados, em alguns casos pelos próprios pais ou responsáveis, para traficar entorpecentes ou se prostituir. Na avaliação dos defensores, este tipo de situação se caracteriza em violência psicológica e social, além de produzir o descrédito pessoal.
Segundo a coordenadora do Fórum Estadual de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente, Natália Daltro, é preciso que os trabalhos de apoio a estes moradores mirins de rua sejam ampliados. Além de proporcionar melhor qualidade de vida para todos, a perspectiva é que cada criança possa frequentar as escolas e deixar de viver em praças e semáforos à procura de alguns trocados. "O trabalho é coletivo e para que possamos alcançar verdadeiro avanço, é fundamental que os pais, tios ou avós destes meninos e meninas possam também se juntar à nossa campanha. ‘Criança não é de Rua’ precisa da colaboração de todos para que a gente consiga mudar a realidade de cada criança e adolescente", afirmou.


