O trabalho do Ministé-rio Público Estadual (MPSE) sobre o escândalo das verbas de subvenção da Assembleia Legislativa (Alese) atingiu com mais força a Associação dos Oficiais Militares de Sergipe (Assomise), uma das entidades investigadas sob suspeita de desvio destas verbas. Ontem de manhã, os promotores do Grupo de Combate à Improbidade Administrativa (GCia) cumpriram dois mandados de busca e apreensão expedidos contra dois endereços: a sede da entidade, no conjunto Augusto Franco (zona sul), e a casa de seu presidente, o tenente-coronel Adriano Barboza Reis, no bairro Getúlio Vargas (zona central). Durante cerca de duas horas, vários documentos, computadores e um telefone celular foram recolhidos nos locais, com apoio de policiais civis do Grupo Especial de Repressão e Buscas (Gerb). O material foi levado de caminhonete para a sede do MPSE, no Capucho (zona oeste).
A Assomise entrou na lista das investigadas por causa das verbas de R$ 844 mil repassadas durante o ano passado, por indicação do deputado estadual Capitão Samuel (PSL), atual líder da oposição na Alese. O Ministério Público Federal (MPF), que também atua no caso, argumenta que, conforme a própria legislação, a entidade não poderia ter acesso a estes recursos, pelo fato de se tratar de uma associação de classe, e não de caráter beneficente ou comunitária. Já os promotores estaduais querem saber qual foi o destino deste dinheiro e se houve algum crime ou irregularidade no uso destes recursos. "Nós detectamos que o volume destinado à associação foi alto e, aparentemente, incompatível com os gastos apresentados por eles", afirma o promotor Jarbas Adelino Júnior, do GCia, ao confirmar que outras medidas cautelares sobre o caso já foram pedidas à Justiça.
Entre os documentos recolhidos, está um livro-caixa que tinha uma etiqueta em sua capa, na qual estava escrito "Verbas de subvenções". Segundo o promotor Henrique Cardoso, coordenador do GCia, os dados registrados no livro, bem como nos documentos e computadores, passarão por uma análise do Laboratório de Tecnologia Contra Lavagem de Dinheiro, ligado à Secretaria da Segurança Pública (SSP). "Nós estamos seguindo o rastro do dinheiro e saber em que esse dinheiro foi gasto. Se a Assomise conseguir provar que ele foi gasto em benefício da obra, vamos tratar da segunda questão: o dinheiro não foi desviado para alguém e ficou em poder dele. Vamos verificar ilegalidade ou não do encaminhamento desse recurso que defende interesses de seus associados. Elas são associações de classe e não de interesse público", disse Cardoso.
Uma das questões levantadas pelo MPSE está em três saques realizados nas contas da Assomise durante o ano de 2014, sendo um de R$ 150 mil e outro de R$ 200 mil. Estes saques teriam sido feitos por três funcionários da Assomise, mas dois deles já foram demitidos e o terceiro ainda não compareceu ao Ministério público para dar esclarecimentos. A prestação de contas destas verbas foi requisitada pelo GCia, mas, de acordo com o promotor Bruno Melo Moura, o pedido não foi atendido por três vezes, o que provocou as ordens de busca cumpridas ontem. "Instauramos procedimentos investigatório criminal para apurar uma suposta prática criminosa pelo major Adriano e requisitamos a ele a prestação de contas das verbas de subvenção do ano de 2014. Ultrapassado o prazo ele não respondeu, pediu delação e nós deferimos. Decidimos tomar essa medida mais drástica na casa dele e na Assomise para saber o que foi feito para com essa verba", esclareceu Bruno.
Os promotores frisaram também que o deputado Capitão Samuel, ex-dirigente da Assomise, ainda não está entre os investigados, mas, caso isso ocorra, o processo será encaminhado ao procurador-geral de Justiça, Rony Almeida, pois o parlamentar tem foro privilegiado.


