Carregador é preso por estuprar a filha de 7 anos

Um carregador de caminhões de 26 anos foi preso em flagrante às 23h de anteontem no bairro Bananeira, periferia de Itabaiana (Agreste). Ele é acusado de estuprar a própria filha, de apenas sete anos de idade, dentro da própria casa, e foi denunciado por uma vizinha que escutou os gritos da criança. O nome do acusado não foi divulgado pela polícia para evitar que a vítima seja identificada. A prisão foi realizada por policiais civis da Delegacia de Frei Paulo, que estavam de plantão na Delegacia Regional de Itabaiana.  

De acordo com o delegado Leógenes Correia Bispo, a mulher telefonou à delegacia depois de ouvir gritos da casa do carregador e perceber que algo errado estava acontecendo. "Ao chegar lá, o pai da criança trancou a casa com cadeados e fingia que estava dormindo. Os policiais quebraram o cadeado e lá flagraram o acusado ainda sem roupas. A vizinha percebeu o crime porque ouviu a criança reclamando de dor, foi até o portão e ficou ouvindo, e, quando chamou por ela, ele saiu correndo do quarto das crianças, e a menina saiu completamente despida, com a irmãzinha de apenas um ano nos braços", relatou Leógenes.

O delegado disse ainda que a criança chegou a contar o que aconteceu para a vizinha, mas o pai gritou o nome dela por várias vezes, tentando intimidá-la. Após a chegada da polícia, no entanto, ele não reagiu à prisão e disse que não se lembra de nada. "Ele disse que só lembrava de uma briga que teve com a mãe da menina no começo da tarde e depois se lembra de quando chegou a delegacia", conta o delegado, que não se convenceu com a versão e relatou que o carregador caiu em contradição durante o depoimento. O diálogo entre os dois, em reprodução livre, revela este momento:
– Infelizmente, foi a primeira vez que eu abusei dela.
– Ei, ninguém falou aqui de abuso. Como é que você está falando que ‘infelizmente foi a primeira vez’, se você diz que não lembra de nada?
– Não, é porque a mãe dela passou por mim e falou: ‘Está vendo o que você fez com a sua filha?’
– Sim! Mas a mãe não tocou em assunto sobre agressão sexual ou qualquer abuso.

Depois do diálogo, o preso não falou mais nada no depoimento. Já a criança confirmou toda a acusação e com riqueza de detalhes, revelando que o pai forçava-a a fazer sexo anal, oral e vaginal, chegando até a urinar sobre ela. "Realmente, é chocante a forma como ela nos relata", disse o delegado, confirmando ainda que a menina, muito amedrontada, pedia para ir morar com a vizinha que denunciou tudo, caso o pai saísse da cadeia. O carregador, que tem outros três filhos entre um e 10 anos, foi autuado em flagrante por estupro e terá a sua prisão preventiva decretada.

Demora do IML – Os policiais que acompanharam o caso reclamaram de uma falha no atendimento do Instituto Médico Legal (IML), que demorou para fazer o exame de corpo delito na garota violentada. Segundo Leógenes Bispo, o órgão foi avisado da chegada da garota às 23h50 de anteontem, quando o delegado telefonou para o médico plantonista. No entanto, o profissional demorou a chegar e, por volta das 5h30 de ontem, disse que não atenderia mais a vítima, pedindo que ela esperasse o início do plantão do outro médico, às 7h30.

O exame só foi acontecer por volta das 11h, após o problema chegar ao conhecimento da Secretaria da Segurança Pública (SSP). "A minha queixa é que esse exame devia acontecer ainda de madrugada, mas a criança ficou esperando, com fome, descalça e sem tomar banho, até por recomendação da técnica pericial para as vítimas de violência sexual. O exame deveria ser imediato, mas a menina esperou por 10 horas, o que é um absurdo", reclamou o delegado. A assessoria do IML alegou que o problema ocorreu devido a um problema na escala de médicos do órgão.

Após o exame, a criança foi encaminhada para a Maternidade Nossa senhora de Lourdes (MNSL) onde passou por mais exames e iniciou um tratamento médico e psicológico. O Conselho Tutelar de Itabaiana acompanha o caso. (Gabriel Damásio)

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