Casal envolvido no ‘Baleia Azul’ teve a prisão decretada

Gabriel Damásio

 

A 3ª Vara Criminal do Rio de Janeiro (RJ) decretou as prisões temporárias do sergipano Rodrigo Herllan Lima Souza e da paulista Letícia Camuci Evaristo, acusados de serem organizadores do jogo virtual ‘Baleia Azul’, que incita o suicídio de seus participantes, sobretudo crianças e adolescentes. O casal de 20 anos foi alvo dos dois mandados de busca e apreensão que foram cumpridos anteontem pela Polícia Civil sergipana nos bairros Luzia e Jabotiana, em Aracaju, dentro da ‘Operação Aquarius’. Segundo o delegado Alessandro Vieira, da Delegacia de Polícia Interestadual (Polinter), as prisões foram expedidas a partir das primeiras análises feitas em computadores e outros materiais que foram apreendidos nas casas dos acusados em Sergipe.

Letícia e Rodrigo foram detidos na manhã de anteontem em Ipeúna (SP), cidade onde moram parentes da jovem. Eles prestavam depoimento em uma delegacia da Polícia Civil paulista na cidade vizinha, Rio Claro, quando os mandados de prisão foram despachados pelo Judiciário fluminense. A expectativa é de que eles fiquem detidos por 30 dias e sejam encaminhados para o Rio, assim como os materiais apreendidos nas casas deles em Aracaju. “Vamos enviar todo esse material para o Rio de Janeiro e a polícia de lá é quem vai fazer a perícia”, explicou Alessandro, que confirmou a existência de indícios que ligam o casal ao ‘Baleia Azul’. “Encontramos indícios não só nos computadores que recolhemos, como também nos perfis falsos que eles usavam nas redes sociais para aliciar as vítimas e comandar o jogo”, destacou.

A polícia do Rio aponta que o sergipano e a paulista são ‘curadores’, isto é, os responsáveis por atrair os participantes e repassar-lhes uma série de 50 tarefas para serem cumpridas diariamente e durante a madrugada, sendo que a última delas é tirar a própria vida. Muitos destes desafios envolvem práticas de automutilação, ou seja, os adolescentes a fazerem cortes no próprio corpo, desenhando uma baleia. Caso as tarefas não fossem cumpridas ou os participantes desistissem, os ‘curadores’ faziam-lhes graves ameaças. 

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