Casas da Rua Geruzinho continuam interditadas

Kátia Azevedo

A Defesa Civil Municipal concluiu ontem o relatório sobre quatro casas que foram parcialmente interditadas após deslizamento de terra provocado pela retirada de areia de um terreno de um lava-jato na rua Simão Dias, no centro da cidade.

As casas ficam localizadas na travessa Geruzinho, situada atrás da rua Simão Dias. O fato aconteceu há 15 dias, gerando pânico entre as famílias que moram nas residências.

Os moradores temem um possível desabamento, pois muitas paredes apresentam rachaduras e podem cair a qualquer momento. Com o laudo em mãos, a Defesa Civil pretende notificar o proprietário do terreno que irregularmente fez a retirada de terra sem nenhuma medida de precaução.

Nesta semana, a Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros estiveram novamente no local para acompanhar a situação. Os quintais das quatro residências foram isolados como medida de segurança, afastando os moradores do perigo iminente de uma queda da estrutura de cimento.

"No mesmo dia conversamos com o proprietário do imóvel e o alertamos sobre o risco de acidente que acabou gerando com uma atitude irregular de não ter procurado os órgãos habilitados para fazer qualquer modificação no terreno. Agora com o laudo, estamos notificando o responsável para que providencie imediatamente um muro de contenção no local para que outros imóveis sejam protegidos", informou o coordenador da Defesa Civil Municipal, coronel Reginaldo Santos Moura.

Ele também informou que as famílias não foram retiradas do local porque não havia necessidade. Segundo Reginaldo Moura, a remoção dos moradores foi descartada diante da vistoria feita em todas as casas que constatou alternativas de permanência no local, já que só uma parte dos fundos as casas foi atingida.   

Orientações – O coordenador da Defesa Civil chama a atenção de que muitas pessoas fazem remoção de terras sem orientação técnica, o que representa um grande risco para moradores de áreas urbanas.
No caso do imóvel em questão, Reginaldo Moura explica que estava em local inclinado, dando acesso às residências que ficam próximas à área onde o dono do terreno usou a escavadeira por conta própria, provocando as rachaduras nas casas.

Entre as orientações de órgãos de defesa sobre a remoção e uso de solo está a recomendação de se evitar cortar o terreno para construir sobre platô, pois este tipo de corte (retirada de terra) facilita o surgimento de taludes: um de corte nos fundos, dois nas laterais, e em determinados casos, um quarto talude (de aterro).
O recomendável é executar obras de contenção dos taludes, bem como obras para drenagem superficial. Se as propriedades são próximas, torna-se necessário executar outro tipo de obra para contenção, tal como muro de arrimo.

Outra orientação relevante é a contratação de serviços de um profissional de engenharia para projetar e acompanhar a execução desses muros de contenção e o básico: se não puder fazer as obras de contenção, não deve iniciar a escavação do terreno.

Outra dica importante é que a terra retirada não pode ser depositada de forma a trazer risco a imóveis situados a níveis inferiores, como aconteceu neste caso. O serviço disponibilizado pela prefeitura informa os bota-fora autorizados.

Os órgãos alertam que os riscos de deslizamentos aumentam com a altura escavada, com a inclinação do talude (barranco), quantidade de água retida ou lançada sobre o talude e a presença de sobrecarga próxima à crista do terreno.  

Também é indispensável manter uma faixa de terra entre a crista da escavação e as divisas de terreno correspondentes. Na falta de indicações mais precisas, recomendar que sua largura seja de no mínimo 1/5 da altura do talude de corte, mas nunca menor que 50 cm.

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