Gabriel Damásio
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Poucas horas antes da apresentação de uma quadrilha que foi presa no último domingo por explodir caixas eletrônicos no interior do estado, mais uma agência bancária foi detonada por outro grupo de criminosos. Por volta das 2h30, três fortes estrondos foram ouvidos na unidade do Bradesco em Capela (Agreste), onde cerca de 10 criminosos destruíram dois equipamentos e roubaram uma grande quantia em dinheiro, não contabilizada. A ação foi considerada bastante ousada, pois, antes de ir ao banco, o grupo espalhou grampos afiados na rua em frente ao Centro Integrado de Segurança Pública (Cisp) da cidade, perfurando os pneus de uma viatura da Polícia Militar e dificultando a ação dos militares.
Segundo testemunhas, a ação foi rápida. os assaltantes chegaram ao banco em dois carros de cor prata e, encontrando facilidades para entrar na agência, instalaram explosivos na área dos caixas e acenderam. As explosões que se seguiram assustaram os moradores vizinhos, que ao saírem para ver o que aconteceu, foram ameaçados pelos criminosos, armados com pistolas e escopetas. Com a demora na saída da viatura da delegacia, os bandidos escaparam com facilidade. Dentro da agência, dois caixas ficaram destruídos, além do forro e das divisórias. As paredes do local também ficaram rachadas com o impacto da explosão, provavelmente causada por dinamites.
As polícias Civil e Militar já investigam o caso e descartaram a possibilidade de que o assalto em Capela tenha sido cometido pela mesma quadrilha a que pertencem os sete presos no domingo em Itabaiana (Agreste) e Lagarto (Centro-Sul). "É importante salientar que outros criminosos atuam no Estado, mas esse bando era o que vinha atuando frequentemente. O evento dessa madrugada com certeza foi praticado por outro bando que vamos buscar prendê-lo", disse o delegado Flávio Albuquerque, diretor do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope).
O mais organizado – Os presos apresentados ontem, em uma coletiva de imprensa na Academia de Polícia Civil (Acadepol) é responsável por mais da metade das 13 explosões ocorridas contra caixas eletrônicos, desde setembro deste ano (incluindo a do Bradesco de Capela). Durante a operação, foram apreendidos dois veículos: uma Saveiro e uma Camionete S10, munições para pistola calibre 380, roupas utilizada pelos criminosos durante as ações e R$ 114.160,00 levados das unidades bancárias. Foram achadas ainda algumas bananas de dinamite, que teriam sido roubadas de uma pedreira em Itabaiana. "Vamos levantar o número do lote das dinamites junto ao Exército [responsável pelo controle de armas e explosivos] e rastrear a origem deles, para saber como eles foram conseguidos", informou o comandante-geral da PM, coronel Maurício Iunes.
Foram presos: Arivaldo Paixão dos Santos, o "Arigó", 51 anos, Mário Silvano Lima, 38, Valter Firmino Dias, o "Bicicleta", 41, Gilvan Santos Sales, 29, Antônio Marcone Justino de Souza, 28, Rudinei Torres, 33, e Lelsion Almeida Costa, 40, apontado como líder da quadrilha. Todas as prisões – com exceção da de "Arigó" – aconteceram em Itabaiana, onde foi montada a base da quadrilha. As ações da polícia aconteceram de forma simultânea nas duas cidades.
Segundo a polícia, Gilvan, Antônio Marcone e Lelsion moravam nas cidades de Guarulhos (SP) e Araras (SP). Silvano e "Bicicleta" residiam na cidade serrana, enquanto "Arigó" vivia em Lagarto. "O Arivaldo é dono de um pesque-pague em Itabaiana. Já Valter, que também morava em Itabaiana, foi preso com munições e parte do dinheiro levado pela quadrilha. Ele já foi preso em Sergipe por conta de receptação de carga roubada", detalhou Albuquerque.
Segundo a polícia, os integrantes da quadrilha desarticulada foram presos anteriormente em Jacobina (BA) por conta de explosões de cashs na Bahia e porte ilegal de arma de fogo. Eles cumpriram pena no presídio da cidade de Serrinha (BA). Eles cumpriram pena no presídio e lá estreitaram os contatos. Há três meses, quando Lelsion ganhou a liberdade entrou em contato com Valter Firmino pedindo que ele aluga-se uma casa em Itabaiana e conseguisse um veículo para realizar explosões em Sergipe. Ele então, acionou Arivaldo e Mário que são envolvidos com desmanche de veículos", destacou Flávio.
Fragilidade – Durante a coletiva, os policiais chamaram a atenção para a fragilidade dos mecanismos de segurança dos postos de atendimento bancários, que são a grande maioria das unidades bancárias atacadas pelos criminosos em Sergipe. Em muitas delas, não há câmeras de segurança ou alarmes, e outras estavam com as portas destrancadas. Para o diretor do Cope, a prática dos bancos contraria a lei federal que regula a segurança bancária.
"Existe uma legislação federal que cobra o mínimo de mecanismos que infelizmente não vem sendo cumprida, principalmente com relação a postos de atendimento bancários. Existem unidades que não tem nenhum mecanismo exigido", comentou Albuquerque, acrescentando que as unidades bancárias podem ter até suas unidades fechadas caso a fiscalização comprove que a Lei não vem sendo cumprida. Esta fiscalização é feita pela Polícia Federal, mas uma reunião recente determinou que os agentes serão apoiados pelas equipes da Polícia Civil no interior.


