Kátia Azevedo
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De janeiro até a última sexta-feira, 19 de setembro, Aracaju registrou 92% de casos de dengue a menos do que foi estimado pelo Ministério da Saúde para o período.
De acordo com a coordenação do Programa Municipal do Controle da Dengue em Aracaju, nesse período foram 1.397 casos notificados e 697 confirmados, quando o previsto para a capital durante todo o ano é de 12.292 pessoas infectadas pelo mosquito transmissor da doença, o Aedes Aegypti.
A coordenadora do Programa Municipal do Controle da Dengue em Aracaju, Taise Cavalcante, explica que pelos cálculos atuais utilizados pelo Ministério da Saúde para a previsão de casos durante um ano, em relação a Aracaju, 2% da população do município poderia desenvolver a doença no ano. "Assim teríamos para o mesmo período do ano de janeiro a setembro, um total de 10.756 casos de dengue, mas o número de casos confirmados até o momento está em torno de apenas 8% do previsto. Observa-se que não aconteceram aproximadamente 92% destes casos de janeiro a setembro", destaca Taise Cavalcante.
A coordenadora ressalta ainda que os números atuais correspondem à mudança do conceito de caso suspeito da doença neste ano, quando passou a ser adotada uma nova forma de avaliação diagnóstica da doença referente aos sinais e sintomas. Ela esclarece que por causa desta mudança não há como fazer uma comparação entre a quantidade de casos deste ano com a de 2013.
Para manter o controle da doença, as ações de enfrentamento ao mosquito devem ser reforçadas durante a chegada da primavera nesta segunda-feira, 22 de setembro, com a continuidade de medidas para a próxima estação, o verão, período considerado de maior preocupação para a transmissão mais rápida da doença.
"O nosso verão vem com muito calor e chuvas esparsas que favorecem a formação de criadouros e o desenvolvimento mais rápido do mosquito transmissor da Dengue. Considerando o inverno, temos a questão do armazenamento de água das chuvas em depósitos que estão nos terrenos, quintais, nas ruas e serão criadouros do Aedes Aegypti, porém no período mais frio o crescimento deste mosquito será mais lento levando de 15 a 30 dias para sua transformação de ovo em mosquito adulto, o que na estação do verão cai para 3 a 7 dias este desenvolvimento", explica Taise Cavalcante.
Ela observa que o problema maior de Aracaju são os depósitos no nível do solo, lavanderias, túnel, baldes, caixas d’água, que servem de armazenamento de água para consumo e não está relacionado diretamente à condição climática e sim à questão de cuidados domésticos para a sua manutenção adequada na limpeza, não permitindo a criação do Aedes.
A coordenadora reforça que toda a comunidade deve ter o cuidado necessário para que nenhum depósito em casa sirva de armazenamento de água parada por muito tempo, a exemplo de pratos de água de animais de estimação, vasos de plantas, ralos de banheiro pouco usados, brinquedos deixados ao ar livre em contato com o ambiente, entulhos nos quintais, pneus armazenados de forma incorreta. A orientação é que se for preciso armazenar água, sejam adotados os devidos cuidados para não permitir o contato do mosquito nestes espaços, onde os ovos são deixados.
Ela informa que nestes casos é recomendável que a população tenha o devido cuidado de fazer a limpeza adequada dos reservatórios de água pelo menos duas vezes na semana limpando internamente as paredes com bucha para eliminar os ovos que podem ficar grudados internamente por 450 dias.
Na avaliação da coordenadora, o principal desafio do controle da doença em Aracaju continua nos locais em que as pessoas possuem o hábito de armazenar água e não têm o cuidado de realizar a limpeza adequada para que não sirvam de criadouro do Aedes, principalmente as lavanderias.a


