EDITORIAL: CCs como bananas

Há quem vislumbre na multiplicação dos CCs um trem da alegria operando a todo vapor

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Quando o governador Fabio Mitidieri, então candidato, prometeu gerar empregos com a mesma facilidade de quem vende bananas na feira, ninguém imaginou a inusitada estratégia a ser adotada para tentar honrar a palavra empenhada. Até agora, o governo do estado já emprega mais de três mil servidores em cargos comissionados.

Há hoje no governo de Sergipe 3.304 cargos em comissão. Destes, 737 foram criados somente nos primeiros 18 meses do governo Fábio Mitidieri. Em apenas um decreto, publicado na última terça-feira pelo Diário Oficial do Estado, 13 cargos comissionados foram transformados em 54.  Questionada sobre a “multiplicação” dos CCs, a Secretaria Estadual de Comunicação informou que a medida foi tomada visando “aumentar a força de trabalho para atender à crescente demanda pelos serviços governamentais prestados à população”.

Há quem vislumbre na multiplicação dos CCs um trem da alegria operando a todo vapor. Isso porquê em grande parte das secretarias e autarquias subordinadas à administração estadual, há mais servidores comissionados batendo ponto, por assim dizer, do que efetivos. Somente estes, entretanto, são consoantes com o princípio republicano da impessoalidade.

Servidores públicos, sejam efetivos ou comissionados, estão na linha de frente do serviço público, tocam a máquina, podem exercer papel fundamental no desenvolvimento estadual e no atendimento da população. Desde quando trabalhem, claro. O governo de Sergipe, no entanto, distribui CCs à mancheia, mas não apresenta resultados.

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