Kátia Azevedo
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Há trinta anos, o carregador Antônio Carlos Nascimento transporta produtos na Central de Abastecimento de Aracaju (Ceasa). A atividade através da qual tira o sustento de toda a família agora pode acabar em razão da cobrança de uma taxa de R$ 60, que passará a ser arrecadada pela instituição a partir de quinta-feira, 01 de agosto.
"Esse é o meu único meio de sobrevivência. A renda diária que a gente recebe aqui não dá para pagar a taxa que a Ceasa quer cobrar. Desde que começou essa história na semana passada, muita gente está deixando o local sem ter para onde ir. A gente não sabe como vai sustentar a família", desabafa o carregador.
Antônio lembra que durante estas três décadas que trabalha como autônomo na Central nunca recebeu ajuda da instituição. "Estou neste lugar desde que ele foi criado. Também sou parceiro da Ceasa, prestando um serviço para a população. Agora da noite para o dia, a direção avisou que vai cobrar uma taxa e quem sobrevive do carrego não tem como pagar. Ninguém conversou com a gente e quando tem reunião a gente não é ouvido. Agora vem uma taxa para pagar todo mês com um valor bem acima da nossa renda, que é muito pouca", reclama.
Assim como Antônio, outros carregadores também estão com medo de serem expulsos da Ceasa por não terem como pagar a taxa. Cristiano Santos, que trabalha como carregador, disse que a taxa é injusta. "Se a gente passar um mês sem fazer o carrego tem que pagar do mesmo jeito. Além disso, a cobrança da taxa não traz nenhum benefício", diz o carregador.
Ele conta também que os carregadores sofrem perseguições da direção da Ceasa e que os seguranças quebram os cadeados onde ficam os carrinhos para tirar o equipamento dos locais onde ficam guardados durante a noite. "A gente é maltratado e não tem como se defender", informa.
Ainda conforme Cristiano, a Ceasa alega que vai cobrar a taxa como uma medida de segurança tanto para os carregadores e comerciantes como para a direção da unidade.
"A gente não entendeu essa medida. Aqui todo mundo trabalha identificado, tem crachá e é obrigatória a apresentação de bons antecedentes", argumenta.
João Batista dos Santos, também carregador, conta que atua no local há 19 anos. "Durante todo esse tempo a direção da Ceasa nunca olhou para a gente. Não tem banheiro. A gente trabalha o dia todo e não tem como fazer uma limpeza. Agora vem esta taxa que eles dizem que é simbólica, mas é abusiva", reclama.
Ele conta que os carregadores já pagam uma taxa para os comerciantes do local para guardarem os carrinhos de mão e que a proposta da Ceasa não atende as necessidades das pessoas que trabalham na área.
"Muita gente vem trabalhar aqui e mora em outras cidades vizinhas e não têm onde guardar os carrinhos. A Ceasa poderia cobrar uma taxa menor, mas R$ 30 e R$ 60 ninguém pode pagar. A gente não tem carteira assinada e esse é o nosso único meio de sobrevivência. É um dinheiro que vai fazer falto e não vai ser usado para melhorar a estrutura do lugar. A direção nunca fez melhorais", observa.
A reportagem esteve na tarde de ontem na Associação dos Usuários da Ceasa, mas o presidente da entidade, Edson Silva, não foi encontrado para falar sobre o assunto. A equipe também foi até a empresa onde o mesmo é proprietário. No local, um funcionário informou que Edson estava em horário de almoço e que não sabia o número de celular para posterior contato da equipe.


