O cangaço é um dos movimentos de maior expressividade para os nordestinos, uma vez que o mesmo construiu ao longo do tempo sua história no sertão brasileiro pela figura de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, juntamente com sua esposa Maria Bonita e seu bando. Em 28 de julho de 1938, há 76 anos, a Grota de Angico ficou conhecida em virtude da emboscada que culminou na morte do cangaceiro mais temido do país. Esse local procurado por turistas de todo país serviu como cenário na manhã de ontem, 28, para a realização da 17ª Missa do Cangaço. O evento é organizado pela Sociedade do Cangaço com participação da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Semarh) e o apoio da MFTUR, Sebrae, Prefeitura de Poço Redondo, Deso e Colégio Purificação.
A missa realizada há 17 anos na Grota do Angico, localizada na divisa dos municípios de Poço Redondo e Canindé do São Francisco, tem o objetivo de homenagear ao aniversário de morte de Lampião, como também de preservar e manter viva a história do Cangaço. Além de reunir centenas de pessoas vindas de várias cidades do Estado, nessa edição o pároco da Igreja Católica do município de Poço Redondo, o padre Fabiano, e o padre Agostinho Justino, da cidade do Rio de Janeiro, realizaram a pregação e juntamente com os fieis, admiradores do movimento do cangaço e familiares de Lampião leram a liturgia e entoaram cânticos em homenagem aos integrantes do bando.
"A gente lança uma semente para que as pessoas reflitam, repensem e que agucem a curiosidade para saber quem foram esses homens, quem foram essas mulheres e porque isso aconteceu? O objetivo dessa missa é difundir e fazer com que as pessoas procurem entender a história do cangaço", enfatizou a neta de Lampião e Maria Bonita, Vera Ferreira.
Após a realização da missa algumas homenagens foram feitas a Lampião na Grota do Angico. No local era perceptível a presença de várias pessoas caracterizadas de cangaceiros, como foi o caso do ator e diretor de Cultura da Prefeitura de Piranhas, Fabio Moura. Apaixonado pela cultura do cangaço, na oportunidade fez um esquete teatral em que Virgulino Ferreira retorna a vida para pedir perdão sobre alguns males que fez. Seus versos emocionaram o público presente.
"A história do cangaço não acabou. Como sertanejo, fico bastante orgulhoso de compartilhar essa emoção com todas essas pessoas que vieram prestigiar a missa do cangaço", afirmou o ator.
Já o grupo de Teatro e Xaxado na Pisada de Lampião, pertencente à cidade de Poço Redondo, realizou uma apresentação de dança feita pelos cangaceiros da época. Além disso, entoaram gritos de guerras e cantaram músicas típicas do sertão.
Grota do Angico – Após a missa os visitantes foram convidados a conhecer a sede administrativa do Monumento Natural Grota do Angico, Unidade de Conservação gerida pela Semarh. Lá, observaram a sede composta por alojamento, cozinha, sala de vídeo/biblioteca, escritório e mirante. O local tem por finalidade manter a preservação da caatinga como também desenvolver atividades de pesquisa científica, educação ambiental, ecoturismo e visitação pública.
De acordo com o coordenador da Unidade de Conservação do Angico, Thiago Vieira, o recinto é beneficiado por abrigar o local da história do Cangaço, além de representar a única unidade de conservação estadual do bioma caatinga. "A data de hoje é muito importante, pois faz parte da proposta do Monumento que é mostrar as tradições culturais como também permitir que a população local como as demais áreas conheçam mais um pouco sobre a Grota do Angico", finalizou.


