Centenas de pessoas se despedem de Frei Miguel

Monique Oliveira
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Mais de 2,5 mil fiéis prestaram sua última homenagem ao frei Miguel Ângelo na Paróquia São Judas Tadeu, conhecida como Igreja dos Capuchinhos, durante a missa de corpo presente do religioso de 104 anos que faleceu em decorrência de uma infecção pulmonar.

Ao centro da igreja, os fiéis puderam louvar e fazer as devidas homenagens ao frei. Bastante emocionados, alguns ainda se arriscaram a chegar perto do caixão e dar o último adeus ao frei Miguel que dedicou a sua vida aos devotos.

Para Dom José Palmeira Lessa, frei Miguel foi um homem que amou Deus verdadeiramente, e mais que um amigo. "Ele tinha um amor que não foi dividido com outros amores, um amor único e verdadeiro. Ele era meu confessor e um homem acostumado a lidar com a alma e o coração das pessoas. Ganhamos um intercessor no céu, mas perdemos um grande homem na terra", afirmou o arcebispo metropolitano de Aracaju.

O Grupo de Canto Frei Miguel Ângelo embalou os fiéis na despedida do religioso que era conhecido em todo o estado pelo seu dom em ouvir e aconselhar. "Sinto uma tristeza e pesar imensos pela perda, mas tenho certeza que frei Miguel foi direto para o céu. A gente torce e reza para que esse homem santo seja beatificado. Um verdadeiro sinônimo de bondade e humanidade", lamentou o ex-governador Albano Franco. O empresário, que conhecia o frade há 40 anos, destacou a simplicidade do religioso que fazia questão de visitar o povo a pé.

O pedreiro Evanios Santos da Silva conta que frequenta pouco a igreja, mas conhecia bastante o frei por suas ações na comunidade. "Além do PAC, ele fez reformas nas praças e sempre fazia doações de cestas para as pessoas mais carentes. Ele buscava melhorias não só para igreja como também para a comunidade", contou.

Após o encerramento da missa, o corpo de frei Miguel saiu em cortejo em direção ao mausoléu localizado dentro da igreja dos Capuchinos, onde foi sepultado em meio a aplausos e oração dos fiéis.
Frei Miguel – Frei Miguel Ângelo nasceu em 30 de outubro de 1908, em Cingoli, na Itália, com o nome de Serafim Césare. Ao ordenar-se escolheu o nome de frei Miguelângelo de Cíngole, mas acabou sendo rebatizado pelos brasileiros como frei Miguel.

Em 1936 chegou à Bahia e de lá veio para Aracaju, tendo sido vigário nos municípios de Maruim, Santo Amaro, Rosário do Catete e General Maynard. Mas na comunidade do bairro América o franciscano é considerado o pai, protetor, conselheiro, o que acode os mais necessitados, os aflitos e os doentes.
Aos 104 anos, o frei já vinha enfrentando problemas de saúde decorrentes da idade. Nos últimos meses ele tinha sido internado três vezes com problemas pulmonares.

Em nota, a Ordem dos Frades Menores Capuchinhos lamentou a morte do frei Miguel e destacou suas ações de caridade: "Frei Miguel, um gigante na fragilidade com seu hábito marrom e suas sandálias franciscanas. Um homem orante e de fé que por onde passou anunciou, com a palavra e a vida, a paz e o bem. Ele buscou durante sua vida e missão a face de Deus, agora descansa em paz".

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