Chacina: famílias fecham avenida em protesto

Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br

O dia de ontem foi de revolta para as famílias dos quatro rapazes que foram assassinados em uma chacina ocorrida anteontem no bairro 18 do Forte (zona norte de Aracaju), em um local conhecido como "Baixa da Cachorrinha". No final da tarde, os corpos de Willian Santos Torres, 21 anos, José Wellington da Conceição Santos, 18, Leonardo Oliveira dos Santos, 18, e Leilson Lima dos Santos, 32, foram enterrados no Cemitério São João Batista, no Castelo Branco (zona oeste). Em seguida, já por volta das 19h, um grupo de mais de 100 pessoas, incluindo amigos e parentes das vítimas, voltou ao 18 do Forte e fez um protesto, fechando as duas pistas da Avenida Juscelino Kubitschek, em frente à Igreja São Pio X.

Os manifestantes invadiram as pistas e colocou fogo em pneus, pedaços de madeira e outros objetos. Em seguida, eles ergueram cartazes e gritaram palavras de ordem, pedindo justiça para os quatro rapazes mortos. O protesto causou um grande congestionamento e muitos motoristas que estavam a caminho do Centro ou de outros bairros da zona norte tiveram que dar meia-volta. Várias equipes da Polícia Militar foram ao local para negociar a liberação da avenida, mas o impasse continuava até o fechamento desta edição.

O crime aconteceu em frente à casa de uma das vítimas, onde três homens chegaram ao local em um VW Gol branco e, depois de fazerem a abordagem e obrigá-los a deitarem no chão, dispararam vários tiros contra as cabeças das vítimas. Durante o velório e o protesto, os parentes das vítimas reafirmaram que os matadores se identificaram como policiais civis, estavam encapuzados e usavam pistolas calibre ponto 40. O pai de um dos rapazes, que não quis se identificar, afirmou não ter dúvidas de que os autores da chacina são policiais e já os prenderam outras vezes, quando eram adolescentes. Apesar da afirmação, ele não soube dizer se as vítimas estavam envolvidas com algum crime.

"Com certeza, eles são policiais. Não têm cara de vagabundo para chegar, botar os meninos sentados na calçada e fazer a execução, mataram um por um e acabou-se. Foi profissional mesmo. Vagabundo não faz isso. Os meninos estavam esperando o lanche na calçada, não estavam armados, não tinham flagrante, não tinham nada. Até o dinheiro que eles tinham foi levado", disse o pai, relatando que outras ameaças já foram feitas às vitimas e a outros moradores. "Um dia antes, pegaram a casa de um desses meninos, depenaram a casa dele e levaram tudo. Celular, dinheiro, joia, tudo. Provavelmente, eles estavam fazendo ronda no bairro, pegaram eles e fizeram o serviço", declara o parente.

Outras moradoras reiteram que os assassinos ou outras pessoas ligadas a ele passaram o dia de ontem fazendo rondas pelas ruas da "Baixa da Cachorrinha" e fazendo ameaças aos moradores e familiares das vítimas. "Nós estamos cansadas de as pessoas chegarem, mandarem a gente se agachar e matar", resume uma manifestante, afirmando que os autores das ameaças também seriam policiais.

DHPP – A Policia Civil negou ter havido qualquer ação dela na hora e no local onde o crime aconteceu. Ela destacou a equipe do delegado André Gouveia, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), para a investigar a chacina. De acordo com o diretor da unidade, delegado Alessandro Vieira, todas as linhas de investigação estão sendo consideradas, mas não há possibilidade da participação de agentes do Departamento de Narcóticos (Denarc), como chegou a ser dito por algumas testemunhas.

"Estamos fazendo ainda a coleta de dados, para termos a confirmação exata da idade, do nome e da vida pregressa destes jovens. Há uma situação de execução [dos jovens], o que pode acontecer por grupo de extermínio, por uma luta de grupos criminosos rivais… são várias as possibilidades e é muito cedo pra se fechar uma delas. Mas esta informação do Denarc está totalmente descartada, porque as equipes do Denarc estavam reunidas para outra operação em outro local completamente oposto da cidade", disse o delegado, ao afirmar que a polícia ainda apura a suspeita de que os jovens mortos teriam algum tipo de envolvimento com o tráfico de drogas.

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