* Antonio Passos
Em uma série de artigos publicados aqui mesmo no Jornal do Dia, o doutor Carlos Alberto Menezes fez uma demonstração do que tem sido certa investida liberal no Brasil.
O alvo e cereja do bolo dessa turma é a privatização do serviço público. Processo que o jurista comparou com uma ocorrência comum nas feiras: o “chorrio”.
Nas bancas do ramo algumas carnes vão sendo compradas e outras passam o dia expostas aos insetos, apalpação dos clientes e acabam desvalorizadas.
Assim, ao final da feira, as carnes desprezadas são vendidas a preços bem abaixo do que valiam quando estavam bem conservadas: isso é o “chorrio”.
Algo semelhante vem ocorrendo na ação defendida a ferro e fogo pelos neoliberais, com uma diferença: na feira o processo é espontâneo, nas privatizações haveria programação.
Inicialmente o setor público é desprezado e quando a qualidade do serviço passa a ser bastante questionada, é apresentada a proposta privatista como única solução.
Jogada às moscas, bombardeada por forte propaganda e agonizando, a cobiçada fatia da administração pública é então vendida por uma bagatela.
Após ilustrar a teoria do churrasco de “chorrio” com exemplos nacionais o professor Menezes citou, no terceiro dos artigos, um caso sergipano: a Energipe, hoje Energisa.
Será que a nova geração liberal que deu as caras na política sergipana de 2018 pra cá se deu ao trabalho de ler textos como os dessa série?
Alguns desses jovens privatistas estão hoje acomodados em cargos do governo estadual. O que fazem lá? Zelam pelo patrimônio público ou preparam novos churrascos de “chorrio”?
Claro que tudo isso poderia superar o nível da mera propaganda e alcançar uma aprofundada exposição de argumentos: com a palavra a nova safra de liberais sergipanos.
* Antonio Passos é jornalista


