Chuva causa estragos em praias da região Sul

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

As fortes chuvas e rajadas de vento registradas nos últimos dias têm causado destruição a estabelecimentos comerciais, residências e obras públicas no litoral sul do Estado de Sergipe. Aliada a erosão marítima, a mudança climática foi suficiente para o desmoronamento de parte da orla e bares na Praia da Caueira; destruição parcial de casas de veraneio na Praia do Abaís; e desabamento de uma casa na região central do município de Itaporanga D’Ajuda. Diante da perspectiva de mais chuva até a tarde deste domingo, 20, técnicos da Defesa Civil Estadual e agentes do Corpo de Bombeiros Militar (CBM) orientam os moradores a redobrar os cuidados e buscar abrigos seguros a fim de evitar novos sinistros.

Na tarde de ontem o Jornal do Dia foi conferir de perto os danos causados pela força da natureza na Caueira e se deparou com um cenário de destruição e amplo remorso por parte dos comerciantes, os quais dizem depender dos pontos de venda para sustentar as respectivas famílias. A menos de dois metros para atingir os quatro principais bares da orla, a água do mar pode avançar ainda mais nas próximas horas e desmoronar todos os estabelecimentos. Preocupados com o alto risco de tragédias, os órgãos estaduais e municipais de fiscalização interditaram parte da via por tempo indeterminado. Na tentativa de minimizar os prejuízos, os comerciantes nativos clamam por intervenção governamental.

Pescador há mais de 50 anos, o estanciano José Maurício Simões disse enfrentar situações como essas a cada dois anos. Para ele, caso a prefeitura não viabilize a construção de uma barreira rígida de concreto na qual impeça que a força da água chegue aos bares e casas, nos próximos dez anos a paisagem local será diferente. "Sou natural de Estância, mas moro aqui desde 1975 e posso garantir que eles botam umas pedras, enchem de sacos de areia, mas nada disso adianta. Não sou especialista, mas percebe-se que a erosão acaba penetrando nessas construções por debaixo do muro. Se fizessem um serviço bem feito e elaborado eu tenho certeza que nenhum desses bares estariam fechados e dezenas de empregos comprometidos", declarou.

Se para donos de bares e restaurantes a situação já é complicada, para os donos de residências na beira mar a preocupação é ainda maior. Sem nenhum tipo de apoio por parte do governo municipal, os proprietários chegam a investir até 30 mil reais para não ver seu imóvel por água a baixo. Quem diz não ter condições de reforçar a estrutura patrimonial tenta comercializar a casa, mas tende a encarar uma desvalorização em até 40% do valor avaliado por corretores. Cansado de tanto investimento e pouco progresso, o empresário Rivaldo Alves disse estar em negociação do imóvel adquirido no início da década de 90, mas que pretende comprar outra casa em um local distante do mar.
"Acho o lugar aconchegante, excelente para ficar com a família e receber amigos, mas periodicamente estou tendo muito gasto com pedra, cimento e vigas de ferro assim que o inverno chega mais forte aqui na Caueira. Vou perder muito, mas é o jeito para evitar ver a casa sendo levada pelo mar", afirmou. A poucos quilômetros de distância da praia, a estrutura de uma casa no Loteamento Santo Antônio não suportou as fortes tempestades e desmoronou na manhã de ontem. Ao chegar ao local, peritos da Defesa Civil e CBM informaram a inexistência de vítimas. De acordo com o agente Edvaldo, esse foi o segundo registro de desabamento residencial em menos de 48h.

Após o primeiro contato, em cinco minutos uma equipe de assistentes sociais de Itaporanga D’Ajuda chegou ao ponto indicado pelos populares. Peritos do CBM e Defesa Civil se aproximaram logo em seguida. Em caso de novos sinistros a orientação é que a população acione os órgãos competentes através dos números: 3224-2189, 3224-7013 e 3224-7012 Defesa Civil; ou através do Centro Integrado de Operações de Segurança Pública (Ciosp), 190.
"Sabemos que o brasileiro tem esse instinto de solidariedade, mas é muito arriscado tentar salvar vidas enquanto não possui técnicas suficientes para evitar possíveis novas vítimas. A orientação é discar em um dos números citados e ter a certeza que iremos chegar o mais breve possível. Por gentileza, sem trotes porque uma ação de mau gosto dessa pode resultar em fatalidades", afirmou o técnico-perito Elias Moura.

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