Chuva não é suficiente para cortar carros-pipas

Monique Oliveira
moniqueoliveira@jornaldodiase.com.br

Mesmo com as chuvas que caíram em alguns municípios do alto sertão sergipano no último final de semana, as ações de ajuda por parte do Governo do Estado, como a distribuição de cestas de alimentos e água potável com a Operação Pipa não podem parar. O diretor da Defesa Civil Estadual, tenente-coronel Mendes, ressaltou que não existe a menor possibilidade de suspender o beneficio dos sertanejos.

"Estamos fazendo o monitoramento nos 18 municípios atingidos pela seca. Para suspender a ajuda do Governo seria necessário que chovesse mais de 1280 milímetros", colocou.

Em Pinhão um temporal acompanhado de fortes rajadas de ventos derrubou 20 casas na madrugada de ontem. A chuva demorou menos de meia hora. Cerca de 50 pessoas estão abrigadas na Escola José Lima Feitosa.

De acordo com o meteorologista Overland Amaral, as chuvas são eventuais e não contínuas, ou seja, acontecerá de forma intercalada. Sob o aspecto de acúmulo de 50 mm a 70 mm, o especialista destacou que vai aliviar um pouco os sertanejos devido ao armazenamento de água nas barragens, mas não será o suficiente para o reabastecimento total.

"Não foi chuva suficiente para normalizar a situação. Temos atualmente 1300mm acumulado negativamente no Estado. Para normalizar seria necessário chover 10 vezes mais", destacou Overland.
Ele explicou que as chuvas do final de semana atingiram mais de 100% acima do esperado em diversos municípios do interior de Sergipe, como Simão Dias, Tobias Barreto, Pinhão, Pedra Mole, Lagarto, Frei Paulo, Itabaiana, Carira, Nossa Senhora da Glória, Poço Redondo e Canindé do São Francisco.

Segundo Overland, as chuvas devem continuar em todo o Estado nos próximos dias, mas em menor intensidade. Ele esclareceu que o sistema causador das precipitações não está funcionando a contento, pois o vórtice ciclônico de altos níveis deveria atuar, mas devido à baixa umidade e ao vapor d’água pouco expressivo, as nuvens carregadas não foram atingidas.

"O fato foi que a região do sul da Bahia até Sergipe e Alagoas estava bastante aquecida. A frente fria que vem de 100 ou 200 quilômetros do Atlântico chocou-se com o calor do litoral, provocando as precipitações", colocou o meteorologista, acrescentando que nesta terça-feira, dia 22, estará reunido com colegas meteorologistas em Fortaleza para discutir o problema da seca na região. O encontro tem como objetivo prever o comportamento pluviométrico dentro dos próximos seis meses.

Último levantamento de acumulo de água:


Canindé do São Francisco – 65 milímetros
Frei Paulo – 22,7 milímetros
Monte Alegre – 56 milímetros
Nossa Senhora da Glória – 75 milímetros
Nossa Senhora Aparecida – 45 milímetros
Poço Redondo – 73,7 milímetros
Porto da Folha – 8,7 milímetros
Riachão do Dantas – 40 milímetros
Itabaianinha – 44 milímetros

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