Gabriel Damásio
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As chuvas de outono voltaram com força ao longo da madrugada e da manhã de ontem em Aracaju e outras cidades do Estado. Segundo dados da Defesa Civil Estadual, o volume de água alcançado pelas chuvas foi de 93 milímetros em menos de 48 horas, o equivalente a mais da metade dos 170 milímetros acumulados no mês de maio. Na capital, o tempo ficou nublado por todo o dia, mas os efeitos das chuvas foram mais sentidos no começo da manhã, com trânsito confuso nas principais avenidas e muitas ruas alagadas.
Os bairros que registraram mais pontos de inundação foram Centro, Siqueira Campos, Grageru, Suissa, 13 de Julho, Salgado Filho, Jabotiana, Santa Lúcia, Coqueiral, Soledade, Santo Antônio e Bairro Industrial. Por estes locais, muitos veículos passaram com dificuldade e outros recuaram. Alguns carros de passeio que arriscaram passar pela enxurrada tiveram problemas mecânicos e precisaram ser retirados com a ajuda de guinchos. Alguns moradores das ruas alagadas tiveram que erguer as barras das calças e tirar os sapatos para atravessar as ruas, enquanto outros nem se arriscaram a sair de casa. Em comunidades da periferia, o problema estava principalmente na lama que tomou conta das ruas.
Mesmo com estes problemas, a Defesa Civil Municipal de Aracaju não registrou ocorrências de deslizamentos de encostas ou chamados de resgate. No entanto, o órgão colocou em prática um esquema especial de monitoramento das áreas de risco. Equipes da Empresa Municipal de Obras e Urbanização (Emurb) foram mobilizadas para desobstruir a rede de drenagem e minimizar os efeitos das águas acumuladas nos bairros prejudicados.
A previsão é de que as chuvas continuem fortes até o final desta semana, com a presença de marés altas e correntezas fortes. Ontem, de acordo com a meteorologia, o coeficiente de marés registrados em Aracaju que chegou a 70, o que corresponde a um aumento das águas marítimas que chegam a mais de 2 metros. O prognóstico do tempo na capital se estende pelas cidades do litoral, mas houve registro de chuvas mais fortes em cidades de outras regiões, como Ribeirópolis (Agreste), Nossa Senhora das Dores (Sertão), Simão Dias (Centro-Sul) e Riachuelo (Vale do Cotinguiba).
De acordo com a Sala de Situação de Tempo e Clima, da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Semarh), o tempo estará sob a influência do sistema de ondas leste, que se caracteriza pela ocorrência de chuvas continuadas em todo o território. Esse sistema é o mesmo que atinge a região Nordeste da Bahia e os Estados de Sergipe e Alagoas. De acordo com o meteorologista Overland Amaral, a partir da terça-feira, o sistema de ondas leste se integrará com os sistemas de frente, que já atuam no Leste e Sul da Bahia. "A chegada desses sistemas marca o início da ocorrência de instabilidade e das chuvas, que se prolongarão nos próximos meses", destaca.


