Agentes de endemias e secretarias de saúde se mostram preocupados com os últimos registros de tempo nublado e fortes chuvas na capital e interior sergipano. Propício para a proliferação do mosquito aedes aegypti, a instabilidade climática atrelada à falta de combate a doença pode registrar novos números negativos já nas próximas quinzenas e essa probabilidade chama a atenção da população. Nos dois primeiros meses deste ano a contabilidade estadual mostra que mais de 600 casos da doença foram notificados. Só em janeiro foram 418, com confirmação de 118 pacientes, e um óbito gerado. Os municípios que mais confirmaram casos da doença até o momento foram Aracaju, Nossa Senhora do Socorro, e Neópolis – município que registrou a vítima fatal.
Em janeiro do ano passado foram 106 casos notificados e 38 confirmamos. Os dados gerais mostram ainda que durante todo o ano de 2014 foram registrados quatro óbitos; 1900 casos notificados e pouco mais de 400 confirmados. Esses números apresentados oficialmente pelo Ministério da Saúde foram considerados alarmantes, já que houve um aumento de 300% se comparado ao mesmo período de 2013. Diante da situação ainda mais crítica no primeiro trimestre desse ano, gestores mostram-se preocupados com a possibilidade de epidemias. Com base na estatística apresentada, os últimos meses de janeiro e fevereiro apresentaram, juntos, um aumento superior a 250%, se comparado aos 60 primeiros meses do ano passado.
Ciente que o combate ao mosquito vem sendo feito dentro da normalidade, o agente de endemias Paulo Soares Filho garante que possíveis desleixos por parte da população tem contribuído para que o sinal de alerta vermelho volte a assustar os sergipanos. Ele lamenta também que o atual período de instabilidade climática tenha se aproximado neste momento de difícil luta contra a doença. "As pessoas parece que estão mais relaxadas, o trabalho de prevenção parece não ser prioridade para muitos e isso tem dificultado nosso trabalho diário. Com isso, os casos notificados e confirmados aumentam e essas chuvas só me fazem acreditar que no final deste mês vamos lamentavelmente apontar novos dados preocupantes", disse.
Para a coordenadora do Núcleo de Endemias da Secretaria de Estado da Saúde, Sidney Sá, é preciso chamar a atenção da população para o fato de que os próprios moradores são os responsáveis diretos por cuidar dos imóveis onde residem e trabalham, não deixando água limpa parada que possa se tornar criadouros dos mosquitos. Segundo alerta a coordenadora, além dos carros fumacê, agentes de casa em casa, e campanhas publicitárias nos meios de comunicação, a parceria dos moradores é a principal arma contra o mosquito. Considerada com um tipo de ‘tropa de elite’ para combater os vetores da doença, uma brigada itinerante tem atuado com frequência no interior do Estado de Sergipe.
"A Secretaria de Estado da Saúde disponibiliza a Brigada Itinerante, o Carro Fumacê, quando necessário, e realiza ações educativas para complementar e apoiar as ações dos municípios. É preciso mostrar para a população que esse trabalho é constante, e juntos, Governo Estadual, Municipal e Federal, iremos conseguir reduzir esses casos. Se todos fizerem sua parte, conseguiremos combater a Dengue", afirmou.
De acordo com o ministro da Saúde, Arthur Chioro, as preocupações apresentadas pelos gestores e agentes sergipanos não são casos único no Brasil. Devido a números negativos em outras 23 unidades federativas, o possível ‘desleixo’ popular declarado por Paulo Filho no início da matéria constata-se não ser apenas um problema local.
Problema nacional – Esta semana o Ministério da Saúde informou que, nos dois primeiros meses do ano, houve aumento de 139% nos casos notificados de dengue, em relação ao mesmo período do ano passado. Em janeiro e fevereiro de 2015, foram 174,67 mil novos registros, contra 73,13 mil no primeiro bimestre de 2014. A fim de evitar epidemias como ocorreu nos anos de 2008 e 2009, o Governo Federal repassou R$ 150 milhões aos estados e municípios para melhorar o combate aos mosquitos transmissores da dengue e da febre chikungunya. Deste total, R$ 121,8 milhões foram destinados às secretarias municipais de saúde e R$ 28,2 milhões, para as secretarias estaduais.
"Ressaltamos que o combate coletivo e integral. Se cada um adotar as devidas medidas de segurança, juntos iremos alcançar nossos objetivos que é reduzir esses índices negativos", pontuou Sidiney Sá.


