Chuvas provocam inundações e deixam desabrigados no Estado

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Dezenas de famílias sergipanas permanecem desabrigadas e outras centenas perderam quase tudo que tinham de patrimônio após a forte tempestade que atingiu o estado desde a última quinta-feira, 21. Nas cidades litorâneas, local mais atingido pelas chuvas e rajadas de vento, o cenário na manhã de ontem foi de destruição. Em Aracaju, rios e canais subiram rapidamente de nível, transbordaram e acabaram invadindo residências. Já no município de Estância uma ponte foi interditada pelo Dnit e Defesa Civil. Na cidade de Lagarto a adutora do Piauitinga rompeu, deixando Lagarto, Riachão do Dantas e Simão Dias sem água.
Devido ao grande volume de chuva registrado, uma série de transtornos foi notificada por órgãos de segurança. Durante o período de tempo chuvoso, mais de 300 profissionais dos mais diversos seguimentos emergenciais atuaram em escala dobrada para atender as vítimas. Na Grande Aracaju, além de ruas e casas inundadas, o final de semana foi marcado por interdição de Unidade de Pronto Atendimento (UPA), e acidentes.

Na manhã do último sábado, 23, o telhado do Posto de Saúde Fernando Franco, no conjunto Augusto Franco, não resistiu à quantidade de água que se acumulava com rapidez e começou a expelir pelas paredes. Em decorrência da infiltração generalizada, a diretora da UPA administrada pela Prefeitura de Aracaju preferiu, visando segurança de todos, pela interdição temporária da unidade. O local, segundo a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), passou 24 horas com o serviço integralmente suspenso. As assistências médicas só foram retomadas no final da tarde do domingo. Já na avenida Visconde de Maracaju parte do asfalto cedeu e a via teve que ser interditada pelos Bombeiros.

Zona Oeste – Avaliada por gestores como a área mais prejudicada da capital, os conjuntos Santa Lúcia, Juscelino Kubitscheck e Sol Nascente, no bairro Jabotiana, permanecem contabilizando os estragos causados pela frente fria. Desde a madrugada de domingo, centenas de pessoas tentam limpar as residências e salvar os eletrodomésticos. Sem suportar a quantidade de águas das chuvas, o rio Poxim voltou a transbordar e inundar vias públicas que tiveram que ser interditadas. Diante da problemática, muitas famílias ficaram ilhadas no Santa Lúcia e não compareceram aos locais de trabalho ou estudo. A Defesa Civil municipal garante que pelo menos 60 famílias da região estão desabrigadas.

Nesta mesma localidade, além do desespero de famílias que perderam tudo, os fatos mais inusitados, e ao mesmo tempo perigosos, estavam voltados para um jovem que decidiu ‘passear’ de moto aquática pelas ruas; um grupo de tripulantes sobre um bote; centenas de placas automotivas que caíram após o dono do veículo tentar passar pela enchente; e um jacaré de aproximadamente dois metros que decidiu nadar pela área inundada. Segundo avaliação da Defesa Civil Municipal, mais 48 horas serão necessárias para estabilizar a situação. "Nos próximos dois dias vamos continuar visitando todas as áreas mais prejudicadas. Se for o caso, vamos aconselhar as famílias a saírem de suas casas, pelo menos por enquanto", destacou Reginaldo Moura.

Fragilidade – Nas cidades de Itaporanga D’Ajuda, São Cristóvão e Nossa Senhora do Socorro as ruas com estrutura fragilizada também foram interditadas pelos órgãos de segurança. Em Itaporanga escolas não funcionam desde sexta-feira em virtude da possibilidade de desabamento do telhado. Na região litorânea casas de veraneio instaladas na beira do mar voltaram a ser prejudicadas com o violento avanço das águas. Já em Socorro, casas foram inundadas e dezenas de estabelecimentos comerciais não abriram as portas desde o sábado pela manhã. Algumas escolas públicas também seguem sem ministrar aulas por orientação da Defesa Civil.

Nos bairros Rosa Elze e Eduardo Gomes, o desabamento parcial de três casas com registro de cinco pessoas feridas foram os fatos mais preocupantes. As residências destruídas estavam instaladas em áreas sem saneamento básico e consideradas de risco. Ao todo, só nestes dois bairros foram contabilizadas sete árvores tombadas desde o início da tempestade. Até a noite de ontem algumas ruas também estavam interditadas para o fluxo de veículos e pedestres. A interrupção deve permanecer até que o nível da água seja reduzido. "É preciso que haja paciência por parte da população. Nesse momento de dificuldade a calma nos ajuda a evitar problemas mais agravantes", relatou Reginaldo Dória, coordenador da Defesa Civil Estadual.

Situação difícil também é enfrentada por centenas de moradores do município de Estância. Devido à vulnerabilidade estrutural da ponte sobre o rio Capivara, que interliga as cidades de Estância e Salgado, no centro-sul sergipano, por volta das 9h do domingo a Defesa Civil decidiu interditar a via. A atitude foi avaliada por técnicos como uma medida preventiva por conta da visível deterioração. Especialistas do Departamento Estadual da Infraestrutura Rodoviária (DER) foram acionados para estudar o caso e avaliar o período necessário para reparar os danos que geram preocupações.
"Infelizmente essa chuva acabou prejudicando muitas famílias e deteriorando estruturas que já apresentavam sérios problemas. É fato que essa tempestade que predominou em Sergipe nos últimos quatro dias também colaborou para que a gente decidisse interditar de vez essa ponte antes que ela desabe e cause problemas mais significativos", destacou o coordenador da Defesa Civil de Estância, Antônio Menezes. Durante os quatro dias de tempo fechado também atuaram equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT), Guarda Municipal e Polícia Militar.

Acidentes – Com a união de pista molhada e imprudência de muitos motoristas, cresceu o número acidentes automotivos. Um deles foi flagrado pelo Jornal do Dia as 3h do último domingo. Após percorrer uma distância de 700 metros acima da velocidade permitida na avenida Desembargador Maynard, um motorista, aparentemente sob efeito de bebida alcoólica, avançou o semáforo vermelho e acabou colidindo de frente com um taxista lotação. Três pessoas ficaram presas às ferragens. Todas foram atendidas rapidamente por uma equipe do Samu e passam bem. Nesta terça-feira um boletim oficial das companhias de policiamento de trânsito vai apresentar dados atualizados quanto ao número de colisões registrados nos últimos cinco dias.

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