Milton Alves Júnior
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O dia de ontem foi de grande transtorno para moradores de diversos bairros de Aracaju. Sem eficiente sistema de esgotamento, a capital sergipana foi atingida na madrugada por uma tempestade que durou cerca de duas horas e foi suficiente para alagar ruas, avenidas, instituições de ensino e órgãos públicos. Diante destes alagamentos, o trânsito na cidade que há anos já é preocupante, ficou ainda mais caótico e contribuiu para a formação de quilométricos congestionamentos. Paralelo aos danos causados pela ação da natureza, pequenos acidentes foram causados em virtude da pista escorregadia e interferiram diretamente na ida de milhares de pessoas às escolas ou trabalho. No bairro Jardins e parte do conjunto Augusto Franco algumas casas também foram inundadas.
Em parte da avenida Ministro Barreto Sobral o fluxo de veículos ficou inviável e era possível flagrar o grande acúmulo de dejetos nos poucos bueiros ao longo da via. Nas ruas adjacentes, a exemplo da Rua 7, moradores enquanto limpavam o imóvel, lamentavam os danos causados com as fortes chuvas e rajadas de vento. Em meio aos prejuízos, os populares criticavam os governos municipais e estaduais por possíveis descasos que já duram mais de duas décadas. Para muitos, há anos esses problemas são de total conhecimento dos diretores e secretários municipais e estaduais, além dos vereadores, deputados e senadores, mas as promessas de qualificação ficam apenas no período eleitoral.
"Quando a gente diz que ninguém faz nada por aqui vem um monte de assessor criticar nós moradores. Queremos uma reforma urgente. Ano passado sofremos com aquela tempestade em outubro, agora perdemos muitos pertences novamente e já chega! Não queremos ser prejudicados pela terceira vez em menos de oito meses", disse.
O problema enfrentado pelos moradores também foi sentido pelos funcionários e estudantes de uma escola particular que fica há poucos metros do Shopping Jardins. Segundo alguns alunos, a informação apresentada pela coordenação da instituição foi que as aulas seriam suspensas no dia de ontem devido a inundação em algumas salas e laboratórios. Na avenida Tancredo Neves alguns departamentos comerciais também cancelaram o respectivo atendimento.
"Ficamos surpresos com uma parte do telhado danificado e água para tudo que era canto aqui. Dessa forma ficou impossível que nosso atendimento continuasse e o jeito foi tirar o dia para realizar os reparos. Estamos trabalhando como se fosse um mutirão para enfim normalizar a situação já na manhã da quinta", disse o advogado Guilherme Simões.
A Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb) informou que o trabalho de coleta diária de lixo na região ocorre conforme previsto pela Prefeitura de Aracaju. Para muitos, o problema dos bueiros entupidos trata-se de uma falta de conscientização ecológica por parte dos próprios aracajuanos.
Esse é o caso do vigilante Lucivaldo dos Santos que disse já ter flagrado pedestres e motoristas arremessando objetos nas ruas. "Sei que existe sim uma falta de investimento na infraestrutura de Aracaju, mas o que tem de gente mal educada não é brincadeira. Eu conheço pessoas que jogam latinha na rua e nesses congestionamentos reclamam dos alagamentos e trânsito que fica pior nos dias de chuva", declarou. Já pela Empresa Municipal de Obras e Urbanismo (Emurb), foi informado que a geografia da cidade de Aracaju contribui para que esse tipo de problema se torne possível.
Para Ademar Queiroz, assessor de comunicação do órgão municipal: "São vários os pontos mais baixos de Aracaju quando a maré sobe. Isso contribui para que esses alagamentos sejam registrados com frequência. Apesar de termos consciência desse problema, várias equipes passaram o dia todo trabalhando na desobstrução desses pontos de escoamento para minimizar os impasses", declarou.
Em virtude do vento forte, ao longo da madrugada duas arvores desabaram no conjunto Augusto Franco.


