Cirurgias continuam suspensas no HC

Kátia Azevedo
katiaazevedo@jornaldodiase.com.br

Os cardiologistas da Unidade Vascular Avançada (UVA) do Hospital de Cirurgia (HC) continuam com cirurgias eletivas suspensas.
Conforme informações do coordenador do setor de cardiologia do HC, Fábio Serra, os médicos estão indo para o hospital, mas sem realizar os procedimentos cirúrgicos cardíacos de menor relevância. "Estamos sem condições técnicas para trabalhar e por esta razão não estão sendo feitas as cirurgias eletivas", informou.
Segundo o cardiologista, o hospital não está conseguindo pagar aos fornecedores e os medicamentos já começam a faltar na unidade de saúde. Os médicos também estão com salários atrasados há três meses. Além dos cardiologistas, os anestesiologistas também decidiram paralisar as atividades até a direção do hospital fazer os repasses dos pagamentos e regularizar a oferta de material utilizado no atendimento dos pacientes. Outros especialistas do hospital como ortopedistas também ameaçam não realizar as cirurgias caso não receberam os salários no dia 10 de agosto.

Fábio Serra ressalta que mesmo com repasse feito pela Secretaria Municipal de Saúde ao hospital, não há nenhuma garantia que os médicos terão a regularização dos salários e oferta adequada de materiais para viabilizar os procedimentos cirúrgicos, já que existem dívidas da unidade de saúde com fornecedores e demais funcionários da instituição. "O último repasse foi utilizado para os funcionários que desempenham outras funções no hospital. Por enquanto o pagamento dos médicos ainda é incerto", enfatiza.
De acordo com informações da assessoria de comunicação da Secretaria Municipal de Saúde, as minutas com adequações do contrato solicitadas pela direção do Hospital de Cirurgia já foram enviadas ontem para a instituição. A expectativa é que o contrato seja finalizado nos próximos dias. Entretanto, a assessoria esclareceu que os pagamentos estão sendo feitos regularmente ao hospital, cabendo ao mesmo a gerência interna do repasse junto aos funcionários e fornecedores.

Em nota, a assessoria de comunicação do Hospital de Cirurgia esclareceu que os médicos cardiologistas e anestesiologistas que prestam serviços à unidade continuam com suas atividades paralisadas e que repasse feito no dia 15 deste mês pela Secretaria Municipal de Saúde, referente aos serviços prestados ao Sistema Único de Saúde (SUS) durante o último mês de maio, permitiu apenas o pagamento dos salários aos funcionários celetistas. "O Cirurgia não tem atualmente capacidade financeira para efetuar o pagamento dos profissionais que suspenderam os atendimentos. Esse problema deve-se a uma mudança no modelo de contratação imposta pelo Ministério da Saúde, que aumenta o prazo para o pagamento de serviços prestados de 30 para 60 dias. Ou seja, o HC passa a receber a cada 60 dias e não mais a cada 30, como o estipulado até o fim do contrato encerrado em maio", justifica.

Ainda de acordo com a nota, o recebimento do mês de junho só será feito em agosto. "O intervalo maior acabou prejudicando momentaneamente o movimento financeiro mensal do Hospital. Vale ressaltar que a Secretaria Municipal de Saúde está cumprindo com os compromissos firmados com o Hospital de Cirurgia e a dificuldade enfrentada hoje é referente a esse hiato de tempo determinado pelo Ministério da Saúde", esclareceu o hospital.

Ainda segundo a nota, a Secretaria Municipal de Saúde está analisando a hipótese de um adiantamento de créditos para que o hospital possa realizar a compra de medicamentos e materiais, bem como fazer pagamentos aos cardiologistas e anestesiologistas. "Enquanto o problema financeiro não for resolvido às cirurgias eletivas continuarão suspensas", conclui.
Com a suspensão, cerca de 600 cirurgias não estão sendo feitas. O Ministério Público de Sergipe já marcou uma audiência para o dia 28 para discutir uma alternativa entre as partes envolvidas.

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