Milton Alves Júnior
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O Conselho Regional de Medicina (CRM) oficializou na manhã de ontem o desligamento de cirurgiões pediátricos na escala de profissionais do Hospital de Urgência de Sergipe (Huse). Conforme alegações da presidente do CRM, Rosa Amélia Andrade Dantas, a decisão foi adotada em definitivo pela categoria em decorrência da constante precariedade estrutural e número insuficiente de profissionais a fim de atender a atual demanda de pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). Os dois problemas citados pelo conselho são de total conhecimento do Ministério Público Estadual que participou das rodadas de negociação entre governo e médicos.
Após um mês e sete dias do primeiro pedido de demissão em massa por parte dos próprios médicos, desta vez ficou garantido que a maior unidade hospitalar do estado ficará sem a assistência pediátrica por tempo indeterminado. Durante coletiva concedida também na manhã de ontem, Rosa Amélia informou que o CRM aguarda um posicionamento do Governo do Estado, através da Secretaria de Estado da Saúde (SES), quanto às possíveis obras de qualificação e futuras contratações dos profissionais.
O conselho informou também que vai pedir uma intervenção federal na saúde pública junto ao Supremo Tribunal Federal. "Já estamos aguardando um posicionamento por parte do Ministério da Saúde (MS) referente a essa intervenção, que, caso demore a ser ajuizada, nós iremos até o supremo para tentar resolver esse caos que está instalado na saúde pública de Sergipe. Sem claras condições de trabalho não tem como atender bem os pacientes", disse a presidente.
Já a direção do Sindicato dos Médicos de Sergipe foi dito que há mais de dois anos que os pediatras vêm relatando a situação de calamidade junto aos órgãos estaduais de saúde, mas até a noite da última quinta-feira, 20, não foram adotadas medidas emergenciais para solucionar os problemas. A demissão em massa foi o último recurso.
"Sempre que os problemas eram apresentados, eles (administradores públicos estaduais) apresentavam várias propostas que indicava possíveis melhorias. Muitas vezes os profissionais chegaram a acreditar, mas acabaram não promovendo progresso nenhum. Por isso que agora decidiram pedir demissão coletiva", afirmou a presidente da Sociedade de Pediatria de Sergipe (Sosepe) e diretora do Sindimed, Glória Tereza Barreto Lopes.
Segundo dados apresentados na manhã de ontem pelo CRM cerca de 30 cirurgias pediátricas eram realizadas todos os meses por meio de 10 profissionais da área. O impasse e atraso nas cirurgias registraram declínio no dia 14 de fevereiro quando cinco médicos pediram demissão e não voltaram. Além disso, três adoeceram, e os demais não conseguiram atender a demanda.
Ações pactuadas – Representantes da Fundação Hospitalar de Saúde estiveram no Conselho Regional de Medicina de Sergipe onde apresentaram as ações pactuadas no Ministério Público Estadual no final do mês passado e que vêm sendo executadas. Os gestores explicaram à presidente do CRM, Rosa Amélia, e para o corregedor do Conselho que todos os pontos pactuados vêm sendo cumpridos.
"Estamos fazendo tudo o que está ao nosso alcance. Fizemos o chamamento público nacional para a contratação imediata de cirurgiões pediátricos, que foi lançado para tentar melhorar a escala médica. Hoje, nós temos uma deficiência de cirurgiões pediátricos em uma escala médica de 24h. Isso não é algo que se restringe a Sergipe. Temos apenas 10 profissionais no Estado, quando só a rede pública precisaria de 21 para uma escala completa. O número de cirurgiões pediátricos formados no país anualmente é muito pequeno. Há turmas que estão concluindo a residência agora no início de março e é nesses profissionais que estamos mantendo a expectativa de trazê-los para cá", disse Wagner Andrade, diretor Operacional da FHS.
Wagner Andrade informou que a partir da semana que vem estará indo a alguns centros formadores de médicos cirurgiões pediátricos para conversar pessoalmente com as instituições a fim de reforçar o chamamento.


